Alemanha: Climax da crise só no final de 2010, diz presidente do IFO

Hans-Werner Sinn, o respeitado presidente do Instituto de Pesquisa Económica (IFO, em alemão) afirmou na quinta-feira que a economia alemã deverá atingir o seu ponto mais crítico apenas no último trimestre do próximo ano e aconselhou a adopção de um terceiro pacote de emergência para estimular a procura, o investimento e o emprego.

Em entrevista ao Financial Times Deutschland, Sinn explicou que a Alemanha tem um atraso de ano e meio relativamente à conjuntura económica dos Estados Unidos. “Na melhor das hipóteses, no Inverno de 2010 estaremos onde os EUA estavam no último Outono. O desemprego vai crescer de forma dramática”, prognosticou.

Na opinião do presidente do instituto germânico o pior ainda está para vir” e apoiou os esforços da União Europeia favoráveis à rápida adopção de novas regras internacionais para os mercados financeiros. “No Inverno, e durante 2010, precisamos de um terceiro programa de apoio conjuntural, mas por enquanto ainda não”, afirmou.

Sinn aconselhou os 27 a fazerem depender a cooperação com os EUA do apoio americano a medidas regulatórias globais mais exigentes e rigorosas para disciplinar os mercados financeiros.

As opiniões de Sinn são partilhadas por outros economistas e institutos de pesquisa económica da Alemanha que admitem a possibilidade de, em 2009, o PIB alemão cair cerca de 4%. 

O Kieler Institut für Weltwirtschaft (IfW) reviu hoje em baixa acentuada os prognósticos relativos ao presente ano. “No final do ano passado, a conjuntura económica mundial deteriorou-se muito mais do que antecipámos.” Em Dezempro passado, o IfW estimou uma quebra de 2,7% do PIB alemão. Porém, a “quebra espectacular” nas exportações – menos 26,2% – faz temer uma situação bem pior, próxima dos 4%.

Outro instituto alemão – Hamburgische Weltwirtschaftsinstitut (HWWI) – também prevê uma redução de 3,8% do PIB e quatro milhões de desempregados, em 2009.

O clima pessimista for agravado pelos últimos dados fornecidos pelo ministério federal da Economia. Em Janeiro, a produção industrial e o desempenho dos sectores da construção civil, obras públicas e energia sofreram uma quebra de 7,5%.

MRA Alliance/FT Deutschland/Agências 

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