A Goldman Sachs prevê um cenário dantesco para a economia americana

O efeito dominó vai agravar-se para a economia americanaO banco Goldman Sachs (GS) divulgou um atemorizador relatório sobre a evolução a médio prazo do sector financeiro estadunidense. O documento prevê que o preço dos imóveis ainda caia bastante, que os incidentes de crédito (pagamento de prestações) vão subir. As seguradoras de hipotecas e empresas financeiras para sobreviverem terão que proceder a generosos aumentos de capital e a injectar fundos multimilionários nas suas reservas. O cenário é dantesco: morte garantida do mercado «subprime»/alto risco, aperto substancial na concessão de crédito ao consumo, aumento gradual do desemprego com a inerente retracção nas despesas dos agregados familiares, ameaçadores sinais de acentuada recessão ou longa estagflação, com volatilidade e instabilidade permanente em 2008/2009.

Os analistas prevêem que, por aquela altura, o mercado oferecerá a investidores estrangeiros, designadamente das economias emergentes, marcas de grande valor global e «goodwill» a preços de saldo. Os BRIC e países membros da OPEP, aproveitarão o derrube sustentado do dólar para tomarem o controlo accionista de grandes conglomerados financeiros americanos.

O afundanço dos preços dos imóveis e a desaceleração/estagflação/recessão do ambiente económico vão afectar dolorosamente os títulos de hipotecas imobiliárias, sobretudo no segmento «subprime», ou de alto risco, segundo o detalhado estudo, no qual participaram alguns dos seus analistas da GS, e disponibilizado para o mercado desde o início da semana.

Os instrumentos financeiros subjacentes a (ou derivados de) empréstimos «subprime» poderão registar perdas superiores a USD 150 mil milhões/bilhões (mm/bi USD), lê-se no relatório. O banco estima em USD 22 mm/bi as amortizações que algumas empresas terão que incluir nos respectivos balanços no último trimestre do ano.

A Goldman Sachs, numa análise anterior ao grau de exposição do Citigroup, previra a gravidade da crise do crédito imobiliário nos EUA e o respectivo contagio aos mercados globais e, provavelmente, à economia real.

No início da semana as bluechips americanas caíram para as cotações mais baixas em três meses. O índice Asia MSCI também registou seu menor valor desde setembro. As acções ligadas ao sector financeiro foram as mais afetadas.

Os analistas prognosticam que as seguradoras e empresas de crédito hipotecário se vão dividir em dois grupos: as que lutarão a todo o custo para sobreviver – com avultados aumentos de capital para evitar a falência – e as que talvez resistam com meros cortes, mas sempre punidos pelos investidores, nos dividendos.

A Goldman inclui no primeiro grupo as empresas MBIA Inc, Ambac Financial Group Inc, Security Capital Assurance Ltd e Assured Guaranty Ltd. Os membros da aristocracia financeira de Wall Street como o Citigroup Inc, Washington Mutual Inc, First Horizon, National Corp and National City Corp, integram o segundo grupo. (pvc)

Leave a Reply