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Os efeitos institucionais do «subprime» em Portugal

BPI: Grau de exposição estimado em 61 milhões de euros

Fernando Ulrich - BPI - PresidenteO BPI, instituição liderada por Fernando Ulrich, esclareceu ontem o mercado que não corre riscos derivados da crise no mercado hipotecário de crédito de alto risco nos Estados Unidos, sendo a sua exposição a Veículos Especiais de Investimento (SIV) de apenas 60,7 milhões de euros. Segundo um comunicado emitido pelo BPI, “a 30 de Setembro de 2007, a diferença de 20% para o Valor Líquido dos Activos dos SIV (reavaliação dos activos dos respectivos colaterais a valores de mercado) foi integralmente reconhecida como imparidade nos resultados, ascendendo o seu impacto a 12 milhões de euros” antes de impostos. O BPI encerrou a sessão de ontem na Euronext Lisbon a ganhar 1,56% para os 6,51€, com 1 520 571 acções negociadas.

BES: Crise pode demorar até um ano

Ricardo Salgado - Presidente - BES“Esta crise do ’subprime’ não está ultrapassada. Poderá levar algum tempo a consolidar-se e, de acordo com estudos, poderá demorar seis meses a um ano”, disse ontem Ricardo Salgado, presidente do BES, em conferência de imprensa para apresentação dos resultados dos primeiros nove meses do banco. “Vamos ver o que acontece”, avançou ainda o banqueiro, e lembrando que os “grupos portugueses não têm o nível de sinistralidade da banca espanhola”. No seu entender, o “subprime” nos EUA “não tem nada a ver com o crédito à habitação em Portugal. São questões completamente diferentes. O ’subprime’ foi caracterizado pelo crédito mal feito desde o início, o que não acontece em Portugal. Nos EUA, a relação do empréstimo com o valor da residência não era praticamente avaliado, o que é inacreditável”, precisou Ricardo Salgado.

Ministro das Finanças: Portugal será menos afectado pela crise

Teixeira dos Santos - Ministro das FinançasA convicção é de Fernando Teixeira dos Santos, com base nas últimas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a economia europeia e o nosso País. «As previsões de crescimento do FMI para a Europa incorporam uma atenuação de 0,4 pontos percentuais. Para a economia portuguesa essa atenuação é de 0,2 pontos percentuais. Ora, isto significa que o FMI estima que o impacto desta crise sobre a economia portuguesa será inferior ao impacto sobre a economia europeia», explicou. O ministro reafirmou a convicção de que «as autoridades norte-americanas estão na disposição de tomar todas as medidas para limitar o impacto da crise imobiliária e o seu alargamento a outros sectores da economia». Em sua opinião, os EUA sofrerão um ligeiro abrandamento económico e não uma recessão “como alguns pessimistas inicialmente previam” facto que classificou de “muito pouco provável”. O optimismo do ministro das Finanças assenta na actuação “pronta e ousada” dos bancos centrais que o leva a crer “que o impacto não será tão gravoso como se chegou a temer». Por estas razões, as previsões do Ministério das Finanças inscritas no Orçamento do Estado para 2008 são «prudentes» pois «não ignoramos o efeito que o abrandamento da economia europeia teria na nossa economia.” Admite contudo que a “incerteza pode pressionar consumo privado” e por isso “prevemos que o consumo privado cresça apenas 1,4% em 2008, em vez do valor próximo dos 2% que prevíamos antes, apesar de o crescimento económico esperado ser de 2,2%», concluiu. DN: Pequenas fortunas portuguesas perdem 1350 milhões de euros

Fundos sob o stress dos resgatesNa semana passada, segundo o Diário de Notícias, “a gestão individual de carteiras de investimento também não ficou imune à crise financeira provocada pelos efeitos dos problemas registado no crédito hipotecário de alto risco nos EUA (subprime). Em Setembro, o montante sob gestão neste mercado caiu 1348 milhões de euros, para os 53 787 milhões. Uma consequência do susto provocado pelas quedas nas bolsas e pelos problemas de liquidez nos bancos, que se traduziu no encerramento de 77 contas de gestão discricionária.” Em Setembro, prosseguiu o DN, “de acordo com os dados da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP), quase todas as sociedades gestoras sofreram quebras nas quotas de mercado (a única excepção foi a Crédito Agrícola Gest, que tem um peso de apenas 1,3% no mercado). A F&C Portugal, parceira do Millennium bcp na gestão de activos, continua líder, com uma quota ligeiramente acima dos 30% (menos 108 milhões que em Agosto). A maior perda verificou-se na gestora do grupo BES, que registou uma quebra de mais de mil milhões nos montantes sob gestão. A crise no «subprime« afectou a percepção de risco dos investidores, [com] a saída de produtos de investimento em direcção aos depósitos a prazo, alguns com taxas de curto prazo de 10%.” O articulista concluiu opinando que “no entanto, o pior parece já ter sido ultrapassado.”

Comissário Europeu contradiz optimismo, prevendo 2 anos de crise

Os apertos financeiros afectam a economia realO comissário europeu de Assuntos Económicos e Monetários, Joaquín Almunia, previu ontem um arrefecimento do crescimento na União Europeia nos próximos dois anos, devido aos altos preços do petróleo e à queda do mercado imobiliário americano. “Já é evidente que as perspectivas económicas para os próximos dois anos serão um pouco menos favoráveis do que esperávamos antes do verão (hemisfério norte)”, disse Almunia num discurso durante uma reunião, em Bruxelas, da Associação Européia de Distribuidores. As previsões económicas, que Bruxelas publicará no dia 9 de novembro, admite que “a taxa de crescimento na UE pode ser afetada pelo ajuste das condições financeiras em nível global, assim como pelos altos preços do petróleo e das matérias-primas e a fraqueza do setor imobiliário americano” apesar da ”existência de uma forte base econômica tanto na eurozona como na UE.” (pvc/agências)

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