Barroso desiludido com atitude dos líderes europeus face ao desemprego

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, criticou hoje os líderes políticos da União Europeia por terem apoucado a ideia de uma reunião dos 27 dedicada aos problemas do emprego. As críticas foram feitas no Parlamento Europeu, onde a próxima Cimeira da Primavera e a queda do Governo checo estão na ordem do dia.

A proposta para a realização de uma “cimeira do emprego” partiu do Executivo comunitário durante o último Conselho Europeu da Primavera, na semana passada.

Porém, a ideia foi relegada para plano secundário pelos governos alemão, francês, britânico, italiano e belga. Os dirigentes daqueles Estados-Membros, argumentaram que a ideia poderia fomentar “expectativas demasiado fortes” entre os cidadãos europeus, no contexto das eleições europeias marcadas para 7 de  Junho.

“Para ser franco, fiquei desiludido com essa decisão. Teria preferido que o conjunto dos 27 Estados-Membros consagrasse o tempo necessário para falar sobre aquilo que, em suma, é o problema central dos cidadãos europeus perante a crise”, confessou Durão Barroso aos parlamentares. 

A reunião sugerida por Bruxelas continua prevista para 7 de Maio, em Praga, mas os chefes de Estado e de Governo da União decidiram limitar os trabalhos aos parceiros sociais, à Comissão Europeia e à troika formada pela presidência checa do Conselho Europeu, Suécia e Espanha.

Em Estrasburgo, Durão Barroso reconheceu que “a maior parte dos instrumentos” de política de emprego são decididos “a nível nacional”, argumentando todavia que tal “não deve ser razão para que os dirigentes não discutam a nível europeu os meios de coordenar a acção”.

Na sessão plenária de hoje, os resultados do Conselho Europeu da Primavera são o primeiro ponto da ordem de trabalhos dos eurodeputados ainda que a crise política checa tenha passado também a concentrar as atenções.

A inevitável queda do Governo de Mirek Topolanek aumentou o receio de fragilização da presidência da União Europeia.

Uma moção de censura apresentada pela oposição de esquerda obteve ontem, na câmara baixa do Parlamento da República Checa, os 101 votos necessários para o derrube do executivo presidido por Topolanek, um conservador eurocéptico alvo de críticas veladas de diplomatas europeus.

“Os problemas políticos domésticos devem ser resolvidos através do processo democrático da República Checa. A Comissão acredita que isso será feito de uma forma que garanta o bom funcionamento da presidência”, defendeu ontem, em comunicado, a Comissão Europeia.

Perante os eurodeputados, o primeiro-ministro de centro-direita checo tentou sossegar os crescentes receios das instituições europeias, ao garantir que o terramoto político do seu país “não terá impacto” na actividade do Conselho Europeu a que preside.

Topolanek vai assegurar as tarefas da presidência semestral da União Europeia até à nomeação de um novo primeiro-ministro ou até à convocação de eleições legislativas antecipadas.

O alemão Hans-Gert Pöttering, presidente do Parlamento Europeu, afinou pelo mesmo diapasão ao afirmar que a queda do Governo checo “não deverá influenciar o trabalhos da presidência dos 27”.

Menos optimista, o ministro luxemburguês dos Negócios Estrangeiros, Jean Asselborn, vaticinou tempos difíceis “para a estabilidade e para a imagem da Europa”.

MRA Alliance/Agências�

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