Archive for abril, 2011

‘Troika’ estuda exigir reforço do capital dos bancos

sábado, abril 30th, 2011

A missão internacional que negoceia com o Governo o pacote de ajuda externa a Portugal está a estudar o aumento do rácio ‘core capital’ dos bancos, para um valor mínimo de 10%, apurou o Económico junto de fontes ligadas às negociações.

Se a medida constar do acordo final, que deverá ser anunciado na próxima semana, a maior parte dos bancos portugueses deverá necessitar de novos reforços de capital, o que poderá ser feito através da venda de activos, da realização de aumentos de capital ou do recurso à intervenção estatal.

A ‘troika’ formada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE) poderá propor que, até ao final de 2011, os bancos portugueses tenham um nível mínimo de capital em função dos requisitos de fundos próprios decorrentes dos riscos associados à sua actividade (rácio ‘Core Capital Tier One’) de 10%. Porém, as negociações prosseguem e a decisão final não está ainda tomada, até porque o Governo e o Banco de Portugal querem impedir esse cenário, frisaram os mesmos responsáveis. O acordo final entre o Governo e a missão internacional deverá ser formalizado e anunciado dentro de dias.

O Banco de Portugal anunciou a 7 de Abril que os bancos nacionais teriam de aumentar os seus rácios ‘core tier one’ para um valor mínimo de 8%, bastante acima da média europeia. Mas esta proposta da ‘troika’ internacional, que vai no sentido de uma medida idêntica formulada aquando do resgate da Irlanda (neste caso, para 12%), obrigará a maioria dos bancos portugueses a reforçarem ainda mais os seus capitais.

Por este facto, os banqueiros portugueses têm se mostrado contra novas exigências de capital. “Os bancos portugueses não arruinaram o País, ao contrário do que os irlandeses fizeram à Irlanda”, disse na quarta-feira Carlos Santos Ferreira, presidente do BCP.

Tal como o líder do maior banco privado português, vários outros responsáveis do sector ouvidos pelo Diário Económico salientaram que o caso português não é comparável ao da Irlanda. Alguns mostraram mesmo descrença de que tal exigência seja colocada pela ‘troika’ internacional, uma vez que o problema da banca portuguesa é de liquidez e não de solvabilidade.

MRA Alliance

Inflação na zona euro sobe para 2,8% em Abril

sábado, abril 30th, 2011

O Gabinete de Estatística Europeu revelou hoje que a inflação no conjunto dos 17 países que usam o euro subiu para 2,8% em Abril, face aos 2,7% registados em Março, de acordo com a primeira estimativa do Eurostat.

 Trata-se do nível mais elevado dos últimos dois anos e meio e ficou acima do esperado pelos economistas, que previam que a inflação se mantivesse inalterada nos 2,7% em Abril.

Em Março, a inflação em Portugal atingiu os 3,9%, o quarto valor mais elevado entre os países do euro, segundo o Eurostat. Nos últimos seis meses, os preços do petróleo escalaram perto de 40%, o que pressionou a subida da inflação na zona euro para cima dos 2%, o limite em que o Banco Central Europeu (BCE) considera existir estabilidade de preços. No total, a inflação na zona euro já está acima dos 2% há cinco meses.

A aceleração dos preços levou mesmo a autoridade monetária da zona euro a subir os juros no início deste mês em 25 pontos base até aos 1,25%, pela primeira vez em quase três anos. Os juros estavam em 1%, o valor mais baixo de sempre, desde Maio de 2009.

Contudo, os economistas sondados pela Reuters não antecipam uma nova mexida nos juros da zona euro no próximo mês. A maioria dos peritos espera que só em Julho o BCE volte a subir o preço do dinheiro.

MRA Alliance/DE

Portugueses deviam recusar-se a pagar dívida do Estado, diz sociólogo

quarta-feira, abril 27th, 2011

Boaventura Sousa SantosBoaventura Sousa Santos defendeu hoje que os portugueses deviam recusar-se a pagar a dívida do Estado, evocando o exemplo da Islândia. “Nós não sabemos como chegámos a esta dívida porque ela foi feita nas nossas costas”, argumentou o professor da Universidade de Coimbra, que admitiu, no entanto, que a ajuda financeira a Portugal por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI) “é essencial”.

As ideias do catedrático foram defendidas na conferência ‘Mundo em mudança: perspectivas de um novo modelo económico e de novos paradigmas civilizacionais’, organizada no âmbito das comemorações do 25 de Abril. Na sua intervenção, Boaventura Sousa Santos defendeu “uma democracia mais participativa” em que os cidadãos possam ter “mais poder de decisão”, sobretudo no que diz respeito à aplicação de verbas por parte do Governo. “O cidadão pode e deve ter uma palavra para decidir onde é que o seu dinheiro é aplicado. Se isso acontecesse não tínhamos comprado submarinos, por exemplo”, sustentou.

Boaventura Sousa Santos, que dirige o Observatório Permanente de Justiça (OPJ), foi uma das personalidades recebidas pela “troika” no âmbito das negociações para a ajuda externa a Portugal.

MRA Alliance/DE

Grécia: Tensão aumenta com juro a 2 anos nos 25%

quarta-feira, abril 27th, 2011

O dia está a ser marcado por novos máximos na era euro dos juros da Grécia e de Portugal no mercado secundário, perante o fantasma da reestruturação da dívida helénica e as preocupações sobre a posição da Finlândia no que toca ao resgate português.

No caso de Atenas, o destaque vai para a taxa a dois anos, que atingiu hoje pela primeira vez a barreira dos 25%, segundo dados da Bloomberg. No mesmo sentido, a ‘yield’ a 10 anos bateu um novo recorde nos 15,529%.

Também os juros de Portugal estão hoje a subir em praticamente todos os prazos. Apenas as taxas a 3 e 5 anos descem hoje.

O juro das obrigações do Tesouro (OT) a 2 anos sobe até aos 11,857%, estando três vezes acima do valor registado há um ano. É um máximo desde pelo menos a adesão ao euro, em 1999.

A ‘yield’ das OT a 10 anos bateu hoje igualmente um recorde nos 9,706%.

A subida dos juros portugueses e gregos surge um dia depois de um relatório de Bruxelas ter mostrado que Irlanda, Grécia, Espanha e Portugal apresentaram os défices mais elevados da zona euro em 2010.

“O facto de os défices terem ficado acima das previsões aumentou as preocupações sobre se [os países] conseguirão consolidar as contas públicas no médio prazo e, consequentemente, os investidores estão a pedir um prémio mais elevado para comprar títulos de dívida daqueles governos”, comentava Nick Stamenkovic, estratega na RIA Capital, à Bloomberg.

MRA Alliance/DE

Poupança dos portugueses foge do Estado para os bancos

sábado, abril 23rd, 2011

As famílias portuguesas retiraram 3,4 mil milhões de euros dos “velhos” Certificados de Aforro (CA) entre Janeiro de 2008 (quando se atingiu o máximo de subscrições) e Março do corrente ano.

O ritmo de resgates destes títulos acelerou-se significativamente nos últimos três meses, atingindo os 754 milhões de euros, o que representa metade do valor retirado durante o ano passado.

O montante retirado no primeiro trimestre é superior à poupança confiada ao Estado nos novos Certificados do Tesouro (CT), que no mesmo período se ficou por 597 milhões de euros. Desde que foram criados, em Julho do ano passado, os CT atraíram 1040 milhões.

Já os depósitos bancários estão a subir desde 2008 e atingiram, em Fevereiro, o valor mais alto desde Outubro de 1989 (últimos dados do Banco de Portugal), ao totalizar 119.864 milhões de euros.

Apesar do crescimento dos depósitos, o boletim estatístico revela que a banca nunca emprestou tão pouco dinheiro às famílias e às empresas. Em Abril, o montante de empréstimos atingiu 3,93 mil milhões de euros, o mais baixo desde 2003, ano a partir do qual é disponibilizada informação. Nas famílias, o crédito para a compra de habitação caiu 27 por cento, para 549 milhões. Para as empresas, a concessão de crédito caiu 740 milhões de euros homólogos.

MRA Alliance/Público

Portugal: Défice de 2010 revisto em alta para 9,1%

sábado, abril 23rd, 2011

As negociações em curso com a ‘troika’ precipitaram uma revisão em alta do défice português do ano passado. O Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu hoje, a um sábado, o défice de 2010 para 9,1% do PIB, devido ao impacto de três contratos de parcerias público privadas (PPP).

No final de Março, o défice do ano passado tinha sido calculado em 8,6% devido a novas regras metodológicas do Eurostat que obrigaram ao reconhecimento das perdas com o BPN e o BPP e à integração de algumas empresas de transportes no perímetro das administrações públicas. Sem esse efeito, o défice teria ficado em 6,8%.

O valor oficial hoje divulgado – 9,1% do PIB – está muito longe do objectivo traçado pelo governo para esse ano, de 7,3%. A meta não foi conseguida mesmo com a integração do fundo de pensões da Portugal Telecom (PT) no universo estatal. O rácio dívida pública/PIB também foi revisto para 93%.

MRA Alliance/DE

Ouro renova máximos históricos

sexta-feira, abril 22nd, 2011

O preço da onça do metal amarelo chegou hoje aos 1.509, 28 dólares a onça, uma subida de 0,20%, tendo tocado durante a sessão os 1512, 47 dólares a onça. Esta é a terceira semana consecutiva de ganhos e os especialistas atribuem a valorização dos metais preciosos à depreciação do dólar, discussões sobre a possível necessidade de reestruturações de dívida na Europa e conflitos no Médio Oriente.

“O dólar está fraco e isso está a ter grande influência no preço do ouro”, disse Chae Un Soo, estratega da Exchange Bank Futures Co. A moeda verde depreciou na sessão de ontem para o valor mais baixo desde Agosto de 2008, com a especulação de que a Reserva Federal não irá subir os juros tão cedo.

Também a onça de prata valorizou 0,6%, para os 46,86 dólares, e está hoje a negociar em máximos de 31 anos. Segundo os peritos, a valorização dos metais preciosos é para continuar. O Barclays, por exemplo, espera que a onça de ouro atinja os 1.520 dólares já nas próximas semanas.

MRA Alliance/DE

Síria vive dia mais sangrento desde início dos protestos

sexta-feira, abril 22nd, 2011

Polícia síria prende manifestanteMais de 60 pessoas morreram nos confrontos entre polícia e manifestantes de hoje, na Síria, no dia mais sangrento desde o início dos protestos contra o Presidente Bashar al-Assad. A informação é avançada por activistas dos direitos humanos.

As forças de segurança abriram fogo contra as pessoas que se manifestavam em várias cidades da Síria, apelando a reformas democráticas no país. Além dos 50 mortos, há relato de um número elevado de feridos e duas dezenas de desaparecidos.

Este é o primeiro grande protesto desde que foi levantado o estado de emergência que vigorava há 48 anos no país. O presidente Bashar al-Assad advertiu que, a partir desse momento, não iria tolerar mais protestos contra o regime.

Em declarações à Rádio Renascença, Ammar Qurabi, chefe de uma organização de direitos humanos sedeada no Cairo, explica que na Síria não há liberdade e que é difícil fazer passar para o exterior a verdadeira dimensão da repressão.

“A Síria não tem comunicação social fora da esfera estatal e qualquer repórter que tente fazer uma cobertura destes acontecimentos é automaticamente preso. E como não há transparência, estas coisas acontecem sem que o mundo saiba a sua verdadeira dimensão. Os repórteres e as pessoas não sabem o que se passa”, sublinha.

MRA Alliance

Reestruturação da dívida grega cada vez mais provável

sexta-feira, abril 22nd, 2011

Jens Bastian, analista da Eliamep, uma fundação independente, em Atenas, acha que o filme desta tragédia grega começa a ser claro: ontem o resgate, hoje a reestruturação da dívida, amanhã o default.

A probabilidade de incumprimento da dívida grega num horizonte de cinco anos subiu de 66,76% ontem para 67,60%, segundo a CMA DataVision. Os juros exigidos pelos tomadores de dívida pública grega no mercado secundário dispararam na maturidade a 2 anos, subindo para os 23%. Também os juros a 3 anos se encontram próximo desse patamar – fecharam em 22,68%. Os juros para as maturidades a 5 anos encontram-se acima de 16% e os juros para o prazo de 10 anos perto de 15%. Uma situação insustentável que separa a Grécia em quase dezassete pontos percentuais da Venezuela, o segundo país com maior risco de bancarrota a nível mundial.

Por que razão esta corrida louca está a acontecer? Um especialista em Atenas aponta uma primeira razão: “As yields – juros implícitos – dos títulos gregos a 2 e 3 anos já estão a apostar em que a opção de re-estruturação da dívida acabará por se concretizar no segundo semestre de 2011, depois de se ter concluído o processo de resgate de Portugal”, diz ao Expresso Jens Bastian, da Fundação Helénica para a Política Europeia e Internacional, um instituto independente de investigação e formação, sediado em Atenas. “Logo que o assunto de Portugal esteja resolvido, é provável que a avaliação pela troika [CE/BCE/FMI] em meados de junho [andamento do programa de intervenção] seja sombria em relação à situação económica e orçamental e sobre a perspetiva para 2012″, acrescenta.

No entanto, Bastian é de opinião que há uma outra linha de pressão: “Os mercados dos títulos estão a desafiar a intenção do governo grego de tentar voltar ao mercado de capitais para se financiar no próximo ano. Para os traders deste mercado, a intenção grega é ou ficção científica ou suicídio fiscal. As yields para os títulos a 10 anos são hoje 600 pontos base mais altas do que quando em maio passado o primeiro-ministro Papandreou na remota ilha de Kastelorizo resolveu pedir o resgate internacional”.

MRA Alliance/Expresso

Paris admite dar bens de Khadafi aos rebeldes

sexta-feira, abril 22nd, 2011

Muammar KadhafiA França admite a hipótese de usar bens da família de Muammar Khadafi, que tinham sido congelados no país, para financiar as forças rebeldes da Líbia. A possibilidade é avançada por uma fonte próxima do Eliseu à agência Reuters, numa altura em que militares norte-americanos afirmam que o conflito se encaminha para um impasse.

Apesar dos bombardeamentos da NATO já terem destruído 30% a 40% da capacidade bélica de Khadafi, as forças do líder líbio ainda continuam a ter um poder de fogo importante. Os Estados Unidos aprovaram hoje o uso de aviões armados não tripulados contra as forças do regime líbio.

MRA Alliance/RR

França admite suspensão temporária do acordo de Schengen

sexta-feira, abril 22nd, 2011

A França está considerar suspender temporariamente o acordo de Schengen sobre livre circulação de pessoas na Europa, devido ao fluxo de imigrantes da Tunísia e Líbia, através da Itália, disse hoje a presidência francesa.A questão da imigração é um dos pontos mais sensíveis da cimeira franco-italiana que se realiza na próxima terça-feira, em Roma, com o líder italiano Silvio Berlusconi e o presidente francês Nicolas Sarkozy.

No domingo passado, Paris provocou protestos dos italianos pela suspensão da circulação de comboios da cidade italiana de Ventimiglia para o sudeste da França, por considerar que um comboio com manifestantes a bordo querendo acompanhar os imigrantes tunisinos representava uma ameaça de perturbação da ordem pública.

MRA Alliance/Agências

Bancos aceleram aperto do crédito às famílias e empresas

sexta-feira, abril 22nd, 2011

Segundo os dados do Banco de Portugal (BdP), ontem revelados, a banca portuguesa colocou um travão a fundo na concessão de crédito. É preciso recuar até 2003 para encontrar um montante de financiamento tão baixo como o que se verificou em Fevereiro último: 3,93 mil milhões de euros para novos empréstimos.

O boletim do BdP revela que em Fevereiro só foram concedidos 549 milhões de euros por parte da banca a famílias para crédito à habitação. É o valor mais baixo desde que o BdP começou em 2003 a divulgar os montantes de novos créditos. 

Com a crise soberana a complicar os canais de financiamento da banca, a concessão de crédito é cada vez mais difícil e mais cara. Fonte bancária admitiu ao CM que “ou fechamos a torneira ou temos de cobrar mais”. 

MRA Alliance

Juro da dívida portuguesa a 5 anos chega aos 11% e bate nível histórico

quarta-feira, abril 20th, 2011

No dia em que Portugal foi aos mercados de dívida pela primeira vez desde que pediu ajuda internacional, o juro da dívida a 5 anos atingiu os 11%, um novo máximo da era do euro e cerca de três vezes acima do registado há um ano.

Ao mesmo tempo, também o ‘spread’, que é o prémio que os investidores exigem para comprar títulos de dívida pública portuguesa a 10 anos em vez das bund alemãs, negociou hoje nos 599,27 pontos, um novo recorde.

Já o juro das Obrigações do Tesouro a 10 anos subia até aos 9,29%. Nas maturidades mais curtas, a tendência também é de avanços, com a ‘yield’ dos títulos de dívida a 2 anos a chegar aos 10,45%, um novo máximo.

De resto, os juros das obrigações com maturidades entre os dois e os sete anos mantêm-se acima dos 10%. Nos prazos mais longos, a ‘yield’ das OT a 8 anos segue nos 9,83% e também na dívida a nove, 10 e 15 anos, os juros seguem acima dos 9%.

Olhando para o monitor da Bloomberg que acompanha a evolução do preço dos ‘credit-default swaps’ (CDS) sobre Obrigações do Tesouro a 5 anos de 57 países, verifica-se que o preço deste instrumento para proteger os investidores contra um eventual ‘default’ de Portugal registava a segunda subida mais expressiva (+26 pontos) até aos 635,50 pontos. Significa isto que por cada 10 milhões de euros aplicados em dívida pública portuguesa, os investidores têm de pagar um seguro anual de 635,5 mil euros para se protegerem de um eventual incumprimento de Portugal junto dos credores.

Com uma subida mais acentuada, só mesmo os CDS gregos, que cotavam nos 1.372 pontos, com um avanço de 41 pontos. A maioria dos 55 economistas consultados pela Reuters esta semana antecipa que a Grécia terá mesmo de reestruturar a dívida. E, de facto, os indicadores de risco para a dívida grega e irlandesa também se agravavam de forma acentuada.

Esta manhã, Portugal conseguiu colocar no mercado mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a 3 e a 6 meses. Os juros subiram nas duas maturidades. A marcar a agenda continuam as negociações entre a ‘troika’ e os responsáveis portugueses sobre o pacote de resgate a Portugal.

MRA Alliance/DE

“Grécia terá de reestruturar a dívida”, dizem economistas europeus

quarta-feira, abril 20th, 2011

A maioria dos economistas sondados pela Reuters antecipa que o país helénico vai ter de reestruturar a dívida nos próximos dois anos, apesar de os governantes gregos garantirem que a Grécia não vai reestruturar a dívida e de vários responsáveis da zona euro terem dito que este não é um cenário a considerar.

A sondagem, realizada esta semana, junto de 55 economistas europeus, revelou que 46 esperam que um processo de reestruturação da dívida se concretize nos próximos dois anos.

Isto quase um ano depois de a Grécia ter pedido ajuda internacional, no valor de 110 mil milhões de euros, à União Europeia (UE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Cerca de metade dos especialistas sondados (24) espera que a Grécia não avance com o processo de reestruturação antes do próximo ano, enquanto sete esperam uma operação nos próximos seis a 12 meses.

MRA Alliance/DE 

Catástrofe nuclear no Japão agrava-se

quarta-feira, abril 20th, 2011

Técnicos medem níveis de radiação na central nuclear de Fukushima, JapãoA Agência de Segurança Nuclear japonesa e o Governo de Tóquio confirmaram a fusão parcial dos núcleos dos reactores 1 e 3 de Fukushima I e que foi detectado tecnécio 99 no reactor 2, elemento que só se liberta com a fusão das barras de combustível, indicando que está danificado, embora não se saiba ainda com que gravidade.

Os dados foram divulgados depois de robôs terem entrado nos reactores para medir os níveis de radioactividade, hidrogénio, temperatura e humidade. Os robôs indicaram elevados níveis de radioactividade nos edifícios dos reactores 1 e 3, tendo estes sido os que ficaram mais danificados com o sismo e maremoto de 11 de Março. As autoridades concluíram que o ambiente é “demasiado adverso” à presença humana, o que dificultará e prolongará a reparação.

A Tokyo Electric Power (Tepco), que opera a central, anunciou que só espera ter a crise controlada no final do ano.

MRA Alliance/Público

Bancos encarecem juros dos imóveis e troika pressiona arrendamento

quarta-feira, abril 20th, 2011

Os ‘spreads’ cobrados pelos maiores bancos a operar no mercado nacional dispararam já este mês e vão continuar a aumentar revela hoje o Diário Económico. As instituições estão a reflectir nos clientes a impossibilidade de recorrerem a financiamento no mercado externo, fruto dos sucessivos cortes de ‘rating’ após o estalar da crise política e pedido de ajuda externa.

O potencial de subida dos ‘spreads’ a curto e médio prazo vai depender, segundo os economistas contactados, da evolução do custo do financiamento nos mercados e dos termos do acordo do resgate a Portugal, sobretudo, das exigências feitas pela ‘troika’ à banca.

De acordo com os preçários das 12 instituições analisadas – CGD, BCP, BES, BPI, Santander Totta, Montepio Geral, Barclays, Banif, Crédito Agrícola, Banco Popular, Deutsche Bank e BBVA -, a média do ‘spread’ mínimo cobrado é agora de 1,55%, o que compara com 1,51% no início do mês. Para os clientes com maior perfil de risco, o custo médio aumentou de 4,35% para 4,67%.

Por estas razões, segundo o Diário Económico, os representantes do FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu que se encontram em Portugal preparam-se para impor o ressurgimento da aposta no arrendamento imobiliário e diminuir o endividamento das famílias.

“Os organismos internacionais pretendem que a economia portuguesa seja mais flexível para que possa crescer mais. Sabendo-se que a existência de muitas casas próprias é um obstáculo à mobilidade e flexibilidade económica, o programa de auxílio tenderá a reduzir a necessidade de aquisição de casa própria, através da flexibilização da solução de arrendamento (como aliás o PEC IV já sugeria)”, defende Cristina Casalinho.

A economista-chefe do BPI recorda que o excesso de crédito à habitação em Portugal resulta de “uma distorção de mercado, cuja correcção deverá fazer com que os níveis de crédito à habitação regressem, desejavelmente, a patamares mais alinhados com o passado português e com a média europeia”.

Para ilustrar a distorção basta regressar a 2007, ano em que os bancos concorriam pelo melhor “spread zero” do mercado e relembrar que a lei do arrendamento urbano não vingou.

MRA Alliance

Sócrates e Cavaco são os principais culpados pela crise, diz sondagem

quarta-feira, abril 20th, 2011

Cavaco e SócratesA esmagadora maioria dos portugueses considera que o Governo deveria ter reagido mais cedo à pressão insustentável dos mercados financeiros e que o Presidente da República deveria ter sido mais activo ao longo da actual crise financeira. Em ambos os casos, 86% dos portugueses inquiridos pela Marktest dão nota negativa ao comportamento de Sócrates e Cavaco Silva.

Este estudo qualitativo realizado para o Diário Económico e TSF retrata o actual momento que o País atravessa e aponta as soluções políticas que devem sair das próximas eleições.

Entre as personalidades com responsabilidades políticas em Portugal, o primeiro-ministro é apontado como o principal responsável (65%) pela actual crise. E ao contrário do que ainda hoje garante o líder socialista, o PEC IV apresentado pelo Governo não era solução.

67% dos inquiridos garante mesmo que não evitaria um pedido de ajuda externa caso a oposição, a 23 de Março, tivesse viabilizado a actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento que o Governo colocou a votos no Parlamento.

MRA Alliance/DE

FMI avança propostas de resgate na próxima semana

quarta-feira, abril 20th, 2011

A ‘troika’ que está a negociar a ajuda externa deverá apresentar as propostas para o memorando de entendimento com Portugal até ao final da próxima semana, disse ontem o secretário-geral da UGT no final da reunião com o Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional.

“O que nos foi apresentado foi um calendário apertado, que até ao final da próxima semana eles apresentarão propostas tendo em vista a levar uma proposta final ao conselho do Ecofin a realizar em meados de Maio”, disse João Proença, citado pela agência Lusa, à margem do encontro que contou com técnicos do Governo mas não com a presença de governantes.

MRA Alliance/DE 

Balsemão quer fechar Impresa apesar de ser uma sociedade cotada

quarta-feira, abril 20th, 2011

António Pinto RibeiroO ex-ministro da Cultura António Pinto Ribeiro afirmou hoje que “Pinto Balsemão quer fechar a Impresa apesar de ser uma sociedade aberta”, garantindo que sociedade cujos interesses accionistas representa – a Ongoing – vai impugnar as decisões da assembleia de geral do grupo.

Em declarações à Lusa, Pinto Ribeiro, representante da Investoffice, detida a 99,9 por cento pela Ongoing, na assembleia de acionistas do grupo dono da SIC e do Expresso, defendeu que “Pinto Balsemão quer fechar a Impresa apesar de ser uma sociedade aberta e não quer que ninguém tenha uma intervenção nessa sociedade ainda que legalmente tenha direito”.

Depois da assembleia-geral de acionistas em que nenhum dos nomes propostos pela Ongoing conseguiu um lugar no conselho de administração da Impresa, o ex-ministro da Cultura criticou Francisco Pinto Balsemão por não querer que “ninguém interfira nessa sociedade”, lamentando que “force os acionistas minoritários a recorrer aos tribunais para fazer valer os seus direitos”.

Para António Pinto Ribeiro, “como não se cumpriram minimamente as regras legais, as deliberações são irregulares, o que pode implicar a nulidade da deliberação e de quaisquer efeitos”, disse, apontando dois momentos em que as regras não foram cumpridas: a eleição do conselho de administração para o próximo triénio e a aprovação do relatório e contas relativas a 2010.

O advogado acrescentou que “a proposta foi recusada e foi submetido à votação um conselho de administração completo, sem lugar para um administrador proposto pelos acionistas minoritários”.

À Lusa, António Pinto Ribeiro lamentou ainda que o relatório e contas tenha sido aprovado, “quando a Investoffice fez um pedido de esclarecimento que foi expressamente negado pelo presidente do conselho de administração [Pinto Balsemão] a pretexto de que essa informação não podia ser dada a uma empresa de um grupo concorrente da Impresa”. A Ongoing é proprietária nomeadamente do Diário Económico.

Em declarações à Lusa, fonte oficial do grupo de Pinto Balsemão afirmou que “foi vencida em assembleia-geral [de acionistas] a tentativa da Ongoing integrar o conselho de administração da Impresa”, escusando-se a prestar mais esclarecimentos.

Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Impresa anunciou que Francisco Balsemão foi hoje reeleito presidente do conselho de administração e Francisco Maria Balsemão vice-presidente.

A lista de vogais integra Pedro Norton de Matos, Alexandre de Azeredo Vaz Pinto, António Soares Pinto Barbosa, Maria Luísa Anacoreta Correia, Miguel Luís Kolbach da Veiga, José Manuel Archer Galvão Teles.

MRA Alliance/DE

Cuba: Reformas do Partido Comunista abrem janela ao capitalismo

quarta-feira, abril 20th, 2011

Congresso do PCCSufocados por décadas de proibições, os cubanos respiraram aliviados, pois finalmente poderão comprar e vender casas e carros, além de receber créditos para negócios e cultivos, após o VI Congresso do Partido Comunista (PCC), que aprovou nesta terça-feira as reformas de propostas pelo colectivo presidido por Raúl Castro.”Raúl avança aos poucos, mas com um bom ritmo. Com a venda de casas e carros muita gente vai poder ganhar um dinheirinho e usá-lo, por exemplo, em negócios”, declarou à AFP Julio González, carregador de bagagens de 37 anos que trabalha no Centro Histórico de Havana.

Raúl Castro chegou ao governo, em julho de 2006, quando o seu irmão Fidel ficou doente e, paulatinamente, foi eliminando as leis que impediam que os cubanos se hospedassem em hotéis, alugassem carros ou comprassem eletrodomésticos.

Cerca de 90% dos cubanos são donos de suas casas, não pagam impostos por elas ou pagam rendas baixas, mas não podem vendê-las. A troca é um expediente ilegal que movimenta muitos milhares de dólares mas ao qual as autoridades fazem vista grossa.

Para já a alegria é contida. O Governo e o Parlamento ainda devem dar forma legal a esses acordos, o que desencadeia as suspeitas de muitos. Só podem comprar carros se houver autorização do governo, e, em casos excepcionais, com uma permissão especial, como ocorre com os músicos que viajam para o exterior e ganham avultados cachets.

Os cubanos apenas podem comprar livremente os velhos carros americanos, fabricados antes do triunfo da revolução de Fidel Castro, em 1959. “Conheço muita gente que vai ficar muito feliz com isto, porque há anos guardam dinheiro para comprar uma coisa ou outra”, comentou Freddy Muguercia, um taxista de 40 anos, que dirige um dos carros que são um símbolo cubano.

Com a compra e venda de casas, o Governo tenta enfrentar o persistente défice de centenas de milhares de residências em Cuba, agravado em 2008 após a passagem de três furacões que em poucos dias destruíram ou danificaram meio milhão de casas.

O Governo autorizou em abril do ano passado, que boa parte dos 11,2 milhões de cubanos pudesse reerguer as suas casas com esforços e recursos próprios, mas também eliminou os subsídios aos materiais de construção, o que dificultou as reconstruções. 

O congresso comunista autorizou outras duas propostas do Governo: o fornecimento de créditos bancários a trabalhadores privados, camponeses e à população em geral, incluindo a construção de casas, e a ampliação dos limites de terras ociosas a serem concedidas em usufruto aos agricultores com bons resultados.

“Para um ‘cuentrapropista’ (trabalhador privado) que começa, é muito oportuno ter créditos. Isso é saudável para o negócio”, disse Miriam Blanco, uma vendedora ambulante de pastéis, de 51 anos. Também serão beneficiados com esses créditos bancários boa parte dos mais de 128.000 cubanos que, desde setembro de 2008, receberam mais de um milhão de hectares de terras em usufruto, mas que enfrentam a falta de ferramentas e outros bens para produzir.

“Se o congresso aprovou, que isso venha muito rápido”, disse Blanco, que como todos os cubanos, sabem que os acordos do PCC são uma espécie de lei sem texto em Cuba, pelo menos, durante o governo de Fidel Castro.

MRA Alliance/AFP

França: Congelamento de salários da função pública em 2012

terça-feira, abril 19th, 2011

O governo francês anunciou hoje que em 2012, pelo segundo ano consecutivo, vai congelar os salários da função pública como uma das medidas para cumprir os objectivos de combate ao défice público. O ministro do Orçamento francês, François Baroin, considerou que esta decisão garante apesar de tudo “um aumento respeitável do poder aquisitivo dos funcionários no ano que vem”.

Depois de uma reunião hoje de manhã com as organizações sindicais, Baroin recordou que o poder de aquisição dos funcionários públicos “que aumentou mais de 10 por cento desde 2007, se manterá por uma série de medidas individuais para cada um dos departamentos da função pública”.

Os sindicatos, contudo, lamentam que sejam os trabalhadores dos sector público a “pagar” a política de rigor do executivo, no mesmo mês em que o governo propôs que as empresas com dividendos paguem um prémio de até mil euros a cada trabalhador, como forma de repartir de forma mais equitativa os lucros das empresas.

MRA Alliance/JdN 

Portugal entre a reestruturação da dívida e a dependência prolongada da ajuda externa

terça-feira, abril 19th, 2011

A unidade de estudos económicos da “The Economist” acredita que Portugal terá de reestruturar a sua dívida pública. E se não o fizer, o País vai ficar permanente da ajuda externa por “muitos anos e muito além do período actualmente previsto pelas autoridades europeias.”

“A decisão de pedir ajuda marca apenas o início de um processo de ajustamento extremamente doloroso e demorado”, alertam os economistas da Economist Intellegence Unit – secção de estudos económicos da “The Economist”.

“O endividamento de Portugal pode aumentar rapidamente para níveis insustentáveis, aumentando a perspectiva de uma reestruturação de dívida pública no futuro.”

Contudo, a questão agora centra-se na capacidade dos “contribuintes portugueses pagarem totalmente o crescente endividamento do Estado no longo prazo”. E é por isso que a unidade de estudos económicos considera que “o incumprimento e a reestruturação [de dívida] permanece como um risco elevado”.

“Na ausência de qualquer reestruturação de dívida, a probabilidade de Portugal ficar dependente do financiamento da UE/FMI por muitos anos e muito além do período actualmente previsto pelas autoridades europeias”, adianta a mesma fonte.

MRA Alliance/JdN

Venda de gasolina caiu 17% em Janeiro

terça-feira, abril 19th, 2011

De acordo com os dados divulgados pela Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), o consumo de gasolina sem chumbo 95 caiu 17% em Janeiro deste ano face ao mês anterior e desceu 8% em relação a igual período de 2010. No mesmo sentido, as vendas de gasóleo desceram 14% face a Dezembro e ficaram praticamente inalteradas quando comparadas com Janeiro do ano passado.

“Há um fenómeno novo que justifica esta descida. É que em cada 10 carros novos, nove são a gasóleo. Claro que os efeitos da crise, como o aumento de impostos e a subida dos preços da gasolina para máximos históricos também justificam esta retracção no consumo”, explicou António Comprido, secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO), ao Económico.Os portugueses nunca pagaram tanto por um litro de gasolina. O preço de referência em Portugal está hoje acima da barreira dos 1,60 euros por litro. No gasóleo os preços rondam os 1,44 euros por litro.

MRA Alliance/DE

Espanha avança com mais austeridade nos próximos meses

terça-feira, abril 19th, 2011

Elena SalgadoA ministra da Economia espanhola afirmou hoje que o Governo vai fazer reformas nos próximos meses para reforçar a confiança na economia. “Temos melhorado a nossa imagem nos mercados nos últimos meses, devido às reformas que temos feito e este também vai ser um trimestre de reformas”, afirmou Elena Salgado à rádio Cadena SER, garantindo que a meta de crescimento económico de 1,3% para este ano será cumprida.

A ministra disse que as reformas deverão incluir medidas para reduzir a economia paralela, a liberalização dos horários de abertura do retalho e alterações no sistema de pensões, tendo em vista acalmar os mercados.

Na semana passada, o primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Rodriguez Zapatero, tinha afirmado que Espanha não tinha qualquer plano de novas medidas de austeridade.

MRA Alliance/DE

Aumento de capital no BCP pode não chegar

terça-feira, abril 19th, 2011

O aumento de capital do BCP foi ontem aprovado por maioria esmagadora mas o presidente avisou os accionistas que pode não chegar. Na Alfândega do Porto, onde decorreu a reunião, Carlos Santos Ferreira, abriu os discursos aos accionistas, na mais longa assembleia geral do BCP, com 18 pontos em agenda. A assembleia contou com 53,27% dos accionistas presentes e representados.

Santos Ferreira começou com uma grande máxima: “apenas os mais ágeis e transparentes sobrevivem às grandes crises”. Isto numa referência à decisão de aumentar o capital, numa altura em que está a ser negociado o pacote de ajuda financeira internacional a Portugal.

O aumento de capital, que pode ir de 1,12 mil milhões de euros a 1,37 mil milhões (incluindo a incorporação de reservas) foi ontem aprovado por uma maioria de 99,84%, numa altura em que estava na sala 53,10% do capital.

O Core Tier one fixar-se-á nos 9%, acima dos 8% exigidos pelo Banco de Portugal e pela Comissão Europeia. Este passará a ser o nível de solvabilidade mínimo para as instituições financeiras exercerem a actividade. O capital social, após as três tranches e se a conversão de Valores Mobiliários Perpétuos Subordinados for superior a 75%, fixa-se em 6.065 milhões de euros. 

Santos Ferreira disse que o aumento do capital próprio “deixa o banco mais forte para beneficiar de futuras oportunidades do sector”. O presidente do BCP disse ainda que este aumento “contribui para a salvaguarda da independência estratégica do BCP”. Carlos Santos Ferreira considerou que, “neste momento, o capital é elevado, o mais elevado da década”, mas avisou que nada garante que este montante é suficiente. “Será discutível se chega para os tempos que aí vêm”, admitiu.

MRA Alliance/DE

Lucro do Goldman Sachs cai 21% mas supera estimativas

terça-feira, abril 19th, 2011

Lloyd BlankfeinO banco norte-americano Goldman Sachs fechou o primeiro trimestre do ano com um lucro de 2,74 mil milhões de dólares. O resultado positivo de 2,74 mil milhões de dólares, ou 1,56 dólares por acção, conquistado até Março, representa uma descida de 21% face ao mesmo período de 2010.

Os resultados trimestrais do banco liderado por Lloyd Blankfein ficaram acima das previsões dos analistas consultados pela Bloomberg, que antecipavam, em média, um lucro por acção de 0,81 dólares.

As contas agora publicadas mostram ainda que as receitas atingiram 11,89 mil milhões de dólares no primeiro trimestre, menos 6,9% em relação aos 12,77 mil milhões de dólares registados há um ano.

A penalizar os resultados do quinto maior banco dos Estados Unidos em termos de activos esteve a recompra de 5 mil milhões de dólares em acções preferenciais à Berkshire Hathaway. Só em juros, o banco pagou 500 milhões de dólares. Recorde-se que no pico da crise financeira, em 2008, a empresa de Warren Buffett comprou 50 mil acções do Goldman para ajudar a instituição.

MRA Alliance/DE

FMI e Banco Mundial alertam para perigos de ‘crise global’

segunda-feira, abril 18th, 2011

As reuniões de Primavera do Banco Mundial e do FMI terminaram ontem em Washington com um alerta de que o planeta pode estar à beira de uma grande crise. Segundo Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, a economia global está a “apenas um choque de uma crise completa”, que poderá ser despoletada pelo aumento dos preços dos alimentos, que são “a principal ameaça às nações mais pobres”.

Este responsável também manifestou o seu apoio à decisão dos ministros das Finanças do G20 na sexta-feira de dar apoio financeiro aos novos governos no Norte de África. “Se esperarmos que a situação estabilize, vamos perder oportunidades. Em termos revolucionários, lutar pelo ‘status quo’ não é uma boa opção”.

Na mesma ocasião, o director-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse estar particularmente preocupado com os elevados níveis de desemprego entre os jovens. “Esta é certamente uma retoma onde não são criados empregos suficientes”, afirmou. Para o líder do FMI, para a juventude “existe um risco de que o desemprego se transforme numa sentença perpétua, havendo a possibilidade real de uma geração perdida”.

MRA Alliance/DE

Juro a dois anos supera os 10% pela primeira vez

segunda-feira, abril 18th, 2011

As ‘yields’ das Obrigações do Tesouro (OT) portuguesas estão hoje a renovar máximos históricos em praticamente todas as maturidades. No prazo a 2 anos, o juro subiu hoje até aos 10,095%, um máximo desde pelo menos a adesão ao euro, em 1999, uma barreira que também já tinha sido atingida nas maturidades a 3, 5 e 7 anos.

Os títulos de dívida a 5 anos estão mesmo a caminho dos 11%, depois de terem avançado esta manhã até aos 10,723%, um recorde.

Também os juros da Irlanda, Grécia e Espanha estão hoje em alta. A ‘yield’ a 10 anos espanhola bateu hoje um máximo histórico nos 5,59%. Isto apesar de os responsáveis europeus terem descartado nos últimos dias um contágio da crise de dívida portuguesa ao país vizinho.

O agravamento dos juros dos países periféricos da zona euro deve-se sobretudo às notícias que dão conta que a Grécia estará a negociar com o FMI e a União Europeia a reestruturação da dívida. Os investidores temem que venha a suceder o mesmo à Irlanda e a Portugal, as outras nações que já pediram ajuda financeira externa.

MRA Alliance/DE

BCP começou processo de desalavancagem

segunda-feira, abril 18th, 2011

Santos Ferreira, CEO do BCPO Millennium BCP está a dar início à desalavancagem do seu balanço, reduzindo o rácio de créditos sobre depósitos, afirmou há momentos o presidente-executivo do banco, Carlos Santos Ferreira, na assembleia-geral de accionistas.

“A desalavancagem está na boca de toda a gente. Em princípio isso pode fazer-se com a venda de carteiras de crédito a desconto – com menos valias – ou subindo os depósitos, ou reduzindo o crédito. Muito provavelmente a desalavancagem vai fazer-se com a venda de carteira e redução do crédito”, explicou o CEO do Millennium BCP, na reunião que está a decorrer no Palácio da Alfândega do Porto.

“Todos aprendemos com a crise financeira e que a confiança é o factor mais valorizado pelos clientes. Os clientes dão um novo valor à capacidade de conceder crédito (…). A nossa aposta estratégica passa pela redução do rácio de transformação, pela venda de activos que a longo prazo tenha retorno inferior ao custo, pela associação com parceiros especializados”, afirmou ainda.

Com um rácio de créditos sobre depósitos de 149% o BCP propõe-se a atingir os 120% em 2013.

MRA Alliance/DE

Bolsas afundam, euro treme e ouro atinge máximo histórico

segunda-feira, abril 18th, 2011

Apreensão na bolsa de Wall StreetA tensão latente no arranque da semana nos mercados é cada vez mais preocupante. Rumores sobre reestruturação da dívida grega até ao Verão e ameaça da Standard & Poor’s (S&P) ao intocável ‘rating’ ‘AAA’ norte-americano ditaram quedas superiores a 2% nas bolsas, atiraram os juros dos periféricos para novos recordes e motivaram uma depreciação de 1,67% do euro face ao dólar.Lisboa não foi excepção. O PSI 20 emagreceu 2,35% e ficou com todas as cotadas negativas – numa sessão em que o ouro se reafirmou como um dos refúgios preferidos dos investidores: a onça do metal amarelo está a um pequeno passo dos 1.500 dólares.

A manhã começou com novos rumores de que a reestruturação da dívida helénica é inevitável. Atenas desmente, Bruxelas descarta essa hipótese, mas os mercados parecem acreditar nela: Madrid, Frankfurt, Londres e Paris escorregaram mais de 2%, com o sector financeiro a liderar as perdas. O mesmo aconteceu em Lisboa: BES, BCP e BPI fecharam a cair mais de 2%.

Outro sintoma de que a renegociação da dívida grega poderá em breve ser uma realidade é o nervosismo que se instalou nos mercados de dívida, com as ‘yields’ dos periféricos a acelerarem até novos máximos históricos. A taxa portuguesa a dois anos, por exemplo, superou hoje, pela primeira vez, a barreira dos 10%. Há um ano estava em 2,2%. O euro também sofria com perdas de 1,67% para 1,4189 dólares. No mesmo sentido, o barril de ‘brent’ recuava 1,9% em Londres para cotar nos 121 dólares.

Tudo ficou (ainda) pior logo ao início da tarde, com o aviso da S&P de que o ‘rating’ dos EUA está em risco por falta de acordo entre democratas e republicados para contrariar a deterioração orçamental da maior economia do mundo. A ameaça da agência atirou Wall Street ao tapete – Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 cediam quase 2% – e fez o índice VIX, um barómetro do pânico em Wall Street, disparar 18%. Por cada cotada que subia em Nova Iorque, cinco estavam em queda e nem os resultados do Citigroup, que saíram melhores que o previsto, conseguiam contrariar a pressão vendedora.

O resultado final em Lisboa foi o segundo maior tombo em 2011 do índice PSI 20, que tem agora saldo anual negativo. Sete cotadas fecharam hoje com tombos acima de 3% e apenas três (Cimpor, PT e REN) caíram menos de 1%. As atenções dos investidores em Lisboa continuam a estar centradas nas negociações com o FMI, das quais devem sair novidades nos próximos dias.

MRA Alliance/DE