Archive for março, 2011

O que aconteceu em Portugal foi uma “tragédia”, diz OCDE

quinta-feira, março 24th, 2011

Angel Gurria, SG da OCDE“É uma tragédia que isto [chumbo do Plano de Estabilidade e Crescimento e consequente demissão do Governo] tenha acontecido, porque o Governo de Portugal estava a fazer o que tinha que ser feito”, disse Angel Gurria, secretário-geral da OCDE, durante uma declaração em Washington.

Para Gurria, Portugal vai agora enfrentar “semanas muito difíceis” até às eleições. A crise política, segundo o responsável da OCDE, aumentou as hipóteses do País necessitar de recorrer à ajuda externa. Questionado se a crise política e económica em Portugal vai afectar outros países, Gurria respondeu apenas: “Vai aumentar a pressão sobre todos”.

Esta manhã, a OCDE admitiu que, com a demissão de José Sócrates, é mais difícil Portugal escapar à ajuda externa. “Se vão ser disponibilizados fundos para facilitar o ajustamento da economia portuguesa, a questão é quem vai fazer a negociação se nem há um Governo?”, interroga-se William White, presidente do “Economic and Development Review Committee”, da OCDE, que se mostrou desapontado com a resignação do líder do Governo.

White diz que a dificuldade de cumprir o pagamento da dívida “não é um problema de liquidez a curto prazo” e os participantes do mercado já o perceberam. Por isso, defende que o pedido de ajuda por parte de Portugal à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional é “um passo bem-vindo”. No entanto, White recusa-se a falar de resgate, porque diz que essa não é a palavra correcta para a intervenção, e sim um grande empréstimo.

MRA Alliance/JdN 

Fitch cortou rating de Portugal de A+ para A-, e ameaçou novos cortes

quinta-feira, março 24th, 2011

pt_crise_ecofin11.jpgA agência de notação financeira Fitch diz que não acredita que Portugal consiga continuar a aceder aos mercados a taxas de juro “comportáveis”. A ajuda externa deverá ter de ser pedida “em breve”.

No comunicado em que informa os investidores de que cortou em dois níveis o “rating” de Portugal, de A+ para A-, ameaçando novas reduções, a agência escreve que o facto de o Parlamento português ter inviabilizado as novas medidas de austeridade, levando à demissão do Governo, aumenta “significativamente as hipóteses de Portugal pedir assistência multilateral num prazo próximo”.

“A incapacidade do Parlamento aprovar as medidas (PEC IV), e a incerteza política decorrente, enfraqueceu a credibilidade do programa português de reformas orçamentais e estruturais”. “Dada a falta de melhoria nas condições de financiamento, a Ficht não assume mais que Portugal consiga neste ano aceder aos mercados a taxas comportáveis”, avisa a agência de notação.

A agência Fitch alerta ainda que sem um pacote de apoio financeiro credível do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia, Portugal sofrerá novo corte de ‘rating’, possivelmente em vários níveis, nos próximos meses. “O RTW (Rating Watch Negative — revisão para possível corte) indica uma forte probabilidade de uma revisão em baixa nos próximos três a seis meses.

Na ausência de um programa de apoio financeiro oportuno e credível do FMI e da UE, o ‘rating’ soberano de Portugal será provavelmente alvo de novo corte, possivelmente em mais de um nível”, afirma a agência. Ainda há dois dias, a agência afirmava que a disputa política entre PS e PSD não colocava em risco o “rating” de Portugal, porque não constituía uma ameaça imediata ao cumprimento da meta do défice para 2011, 4,6% do PIB.

MRA Alliance/JdN

Governo de gestão pode pedir resgate internacional

quinta-feira, março 24th, 2011

O Governo de gestão de José Sócrates pode oficializar e negociar um pedido de resgate internacional em caso de ruptura financeira. Já a aprovação das medidas que implicam um pedido de ajuda ao fundo europeu e ao FMI terão de aguardar por um novo Executivo e por um novo Parlamento, em caso de eleições antecipadas. É esta a leitura que vários especialistas fazem da Constituição portuguesa.

No artigo 196, alínea 5, da Constituição está escrito que um governo de gestão “limitar-se-á à prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos”. Um conceito suficientemente amplo para que, ao longo dos anos, exista sempre polémica em torno do que pode e não pode ser feito.

Rui Medeiros, professor da Católica, diz que um resgate não figura entre “as competências normais de um Governo de gestão”, mas se o país enfrentar “uma ruptura de tesouraria” pode ser feito. Optando sempre por um pedido mais circunscrito no tempo e nas suas imposições. Por exemplo, entre um pedido de empréstimo “a cinco ou a dez anos deve optar pelo primeiro”.

MRA Alliance/DE

Sócrates demite-se e responsabiliza oposição pela crise política

quinta-feira, março 24th, 2011

José SócratesDepois de apresentar a sua demissão a Cavaco Silva, em Belém, logo após o chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), no Parlamento, o primeiro-ministro José Sócrates responsabilizou a oposição por um eventual pedido de ajuda de Portugal ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Falando em «coligação negativa» e na falta de qualquer espaço para o diálogo político com o Governo, José Sócrates acusou os partidos da oposição de se unirem apenas com interesses eleitoralistas e sem pensar em Portugal. De forma consciente a oposição tirou ao Governo todas as condições para continuar a governar, considerou.

O primeiro-ministro demissionário falou ainda em «obstrução» levada a um limite intolerável, que bloqueou a acção do Executivo e prejudicou o país, e alertou que esta crise política é totalmente inoportuna, devido às dificuldades económicas já sentidas pelo país. O ainda Chefe do Governo prometeu ainda uma atitude institucional durante o governo de gestão que se iniciará logo que Cavaco Silva aceite o pedido de demissão.

O líder do PSD, Passos Coelho, logo após o anúncio do pedido de demissão do primeiro-ministro, que o PSD não se empenhará numa «campanha de medo» e que quer eleições para um novo Governo que aplique uma «estratégia verdadeiramente nacional».

A votação contra o PEC «abriu caminho a que Portugal possa vir a apresentar, quer aos mercados quer aos parceiros, uma estratégia de médio e longo prazo que finalmente enfrente os problemas» e não se limite a, de seis em seis meses, «pedir sacrifícios redobrados aos portugueses» sem dar esperança. Passos acusou ainda o Governo de apostar numa estratégia de «vitimização» e num «jogo de culpas», depois de José Sócrates ter responsabilizado a oposição pela sua demissão.

«Precisamos de conhecer a verdadeira situação financeira, não podemos continuar a dizer ao país que não são precisas mais medidas e depois ameaçamos que vem ajuda externa se as medidas de austeridade não forem aprovadas», repetiu, numa crítica ao Governo.

MRA Alliance/Agências

Bruxelas questiona contas públicas de Portugal em 2010

quarta-feira, março 23rd, 2011

O défice orçamental de 2010 está em risco de ser corrigido, ultrapassando claramente o valor inferior a 7% que tem sido adiantado pelo Governo, e furando a meta prometida ao país, à Comissão Europeia e aos mercados de dívida. Segundo apurou o Diário Económico, os gastos com as empresas públicas de transporte e o buraco do BPN justificam as dúvidas do Eurostat, que está em conversações com o Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o assunto.

Afinal, o défice do ano passado – o primeiro do longo caminho de consolidação orçamental a que a economia portuguesa está obrigada – poderá superar os 8%, mesmo depois de incorporado o Fundo de Pensões da PT. O Governo poderá ser assim obrigado a reconhecer perante as instituições internacionais que não cumpriu o objectivo do primeiro ano do horizonte de consolidação. Esta má notícia junta-se à crise política instalada, que poderá precipitar a confirmação de eleições antecipadas hoje mesmo, com o chumbo da actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), pelos partidos da oposição.

A dúvida sobre as contas públicas portuguesas é do Eurostat e vai além da questão da contabilização do impacto financeiro da nacionalização do BPN – que está avaliado neste momento em cerca de dois mil milhões de euros. Em causa estão também os gastos com as empresas públicas de transportes que não têm contratos de gestão com o Estado.

MRA Alliance/DE

Juros a cinco anos tocam novo máximo nos 8,09%

terça-feira, março 22nd, 2011

juros12.jpgOs juros da dívida portuguesa a cinco anos voltaram esta terça-feira a registar um novo máximo histórico nos 8,09%, na véspera do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) ser debatido no Parlamento e a poucos dias da realização da cimeira europeia.

Esta subida «imparável» dos juros da dívida está relacionada com a iminência de uma crise política, depois de os partidos da oposição terem avisado que deverão chumbar o PEC IV, que vai esta quarta-feira a votos na Assembleia da República. A taxa de juro das Obrigações do Tesouro (OT) a cinco anos segue a negociar nos 8,07%, mas às 13h33 chegou a tocar os 8,09%, o valor mais elevado desde a entrada no euro.

A «yield» destes títulos ultrapassa, assim, o último recorde, que tinha sido fixado na passada sexta-feira nos 8,037%, de acordo com dados da Reuters. Nas restantes maturidades a tendência é semelhante. Os juros das OT a 10 anos avançam para os 7,63%.

O spread, ou seja, a diferença entre o que os investidores cobram para adquirir dívida nacional em detrimento da alemã, que é a que serve de referência, está nos 436,5 pontos base, sendo que os mercados exigem 3,24% de juros na aquisição de títulos alemães.

Na Irlanda e na Grécia, os juros das OT a 10 anos chegaram hoje a subir para os 9,91% e 12,86%, respectivamente.

MRA Alliance/AF

Bruxelas garante que PEC ainda pode ser negociado

terça-feira, março 22nd, 2011

Porta-voz da Comissão contraria a intransigência de Jean Claude Junker, presidente do Eurogrupo, ao dizer que há margem para negociar o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). A abertura chegou esta tarde de Bruxelas.Ao contrário da posição intransigente, ontem assumida por Jean Claude Junker, presidente do Eurogrupo, agora o porta-voz da Comissão Europeia vem dizer que o PEC proposto pelo Governo português ainda pode ser negociado.

Menos de 24 horas depois de Juncker ter dito que não vê qualquer razão para que a mais recente versão do Programa de Estabilidade e Crescimento lusitano seja modificado, o executivo presidido por Durão Barroso vem dizer, através de um porta-voz, que o pacote de austeridade português é apenas um plano e não algo irreversível.

“Trata-se de um anúncio, de um plano, não de uma decisão firme. A partir daqui, claro que estamos abertos ao diálogo com toda a gente. Mas o que é importante aqui é ter um pacote de medidas que servem para permitir ao país cumprir todos os seus objectivos, não apenas para convencer a Comissão, o senhor Barroso, o senhor Rehn, o senhor Trichet, o senhor Juncker, mas para convencer também todos os participantes no mercado”, diz Amadeu Altafaj, porta-voz do comissário europeu responsável pelos Assuntos Económicos e Monetários.

No que parece ser uma autêntica corrida contra o tempo em direcção à crise política, Bruxelas atira assim um possível balão de oxigénio ao Governo, acompanhado da mensagem de que os acontecimentos em Portugal estão a ser seguidos muito de perto.

MRA Alliance/RR

Malparado das famílias volta a aumentar em Janeiro

terça-feira, março 22nd, 2011

De acordo com os dados disponibilizados hoje pelo BdP, o valor do crédito considerado de cobrança duvidosa dos particulares em Janeiro situava-se em 4129 milhões de euros, contra os 3989 milhões registados em Dezembro.

O aumento foi partilhado entre todos os agregados, com o maior aumento a ser registado no valor do crédito concedido para habitação, mais 57 milhões de euros, seguindo-se o crédito para outros fins, com aumento de 51 milhões de euros, e por fim o consumo, com mais 32 milhões de euros de crédito considerado malparado.

O total de créditos concedidos aos particulares também registou um aumento 747 milhões de euros em Janeiro, suportado essencialmente pelo crescimento no volume do crédito para habitação que aumentou 895 milhões de euros.

O valor dos empréstimos para consumo e outros fins registaram, no entanto, uma queda, de 61 e 87 milhões de euros respectivamente.

MRA Alliance/Agências

Cuba: Fidel confirma que já não é líder do Partido Comunista

terça-feira, março 22nd, 2011

Fidel CastroNum artigo publicado na imprensa cubana e citado pela agência noticiosa norte-americana AP, Fidel Castro, agora com 84 anos, referiu-se aos problemas de saúde de que padece desde 2006: «Demiti-me sem hesitação de todos os meus cargos estatais e políticos, incluindo de primeiro secretário do partido… e nunca mais tentei exercer esses papéis».

Em 2006, Fidel transferiu as responsabilidades políticas para o irmão, Raul Castro. Dois anos depois, anunciou que não aceitaria um novo mandato como Presidente, com o irmão a suceder-lhe. Nunca chegou a ser feito nenhum anúncio oficial sobre o seu estatuto relativamente à liderança do Partido Comunista.

Segundo a AP, o site na Internet do Partido Comunista cubano continua a referir Fidel Castro como o primeiro secretário e Raul Castro como segundo secretário.

MRA Alliance

Caça americano cai na Líbia

terça-feira, março 22nd, 2011

libia_f-15.jpgUm caça norte-americano F-15 caiu na Líbia, os dois tripulantes ejectaram-se e um já foi resgatado, anunciou hoje, terça-feira, o comando norte-americano AFRICOM em Estugarda, Alemanha. Um porta-voz do AFRICOM, Vince Crawley, disse que o avião não foi abatido e pode ter sofrido um problema mecânico.

O aparelho caiu na noite de segunda-feira para hoje. Os membros da tripulação sofreram ferimentos ligeiros.

MRA Alliance/Agências

Divisões entre militares põem Iémen à beira da guerra

terça-feira, março 22nd, 2011

Tumultos no Iémen

Doze comandantes militares seniores rejeitaram o regime de Ali Abdullah Saleh, mas o ministro da Defesa exigiu às Forças Armadas que mantenham a lealdade para com o Presidente do Iémen há mais de 30 anos. As divisões entre militares aumentam os riscos de uma guerra civil.

“As Forças Armadas vão manter-se fieis ao juramento que fizeram perante Deus, a nação e a liderança política do irmão Presidente, Ali Abdullah Saleh. Não vamos permitir em quaisquer circunstâncias um golpe contra a democracia e a legitimidade democrática, ou uma violação da segurança da nação e dos cidadãos”, afirmou Mohammed Nasser Ahmed.

A declaração do ministro da Defesa segue-se à posição tomada por 12 comandantes militares seniores, que rejeitam continuar a cumprir ordens de Saleh e apoiam os milhares de revoltosos que exigem o fim do regime ditatorial. O último golpe para o Presidente foi dado pelo general Ali Mohsen al-Ahmar, confidente de longa data de Saleh e líder do Exército na região noroeste, que ontem anunciou que irá apoiar “a revolução pacífica” enviando soldados sob o seu comando para proteger os milhares de manifestantes que se reúnem na capital do país, Sana, a exigir a queda do regime, escreve o jornal britânico The Guardian.

Poucos minutos logo após esta deserção, os guardas republicanos, a força de elite comandada pelo filho do Presidente, Ahmed Ali, ocuparam postos chave em Sana para combaterem os opositores de Saleh.

Simultaneamente, demitiram-se sete embaixadores iemenitas, que representavam o país no Japão, Síria, República Checa, Jordânia, China, Arábia Saudita e Kuwait.

MRA Alliance

Supermercados, restaurantes e indústria já estão a perder clientes

terça-feira, março 22nd, 2011

Menos visitas aos supermercados e aos restaurantes e mais racionalização no que se come e no que se bebe. Estas são as principais conclusões das empresas contactadas pelo Diário Económico em relação ao consumo nos primeiros dois meses do ano, já fortemente marcado pelas medidas de austeridade.

As cadeias de distribuição Sonae e Jerónimo Martins (JM) já estão a sentir o impacto desse comportamento dos consumidores, bem como as empresas de bebidas, de queijos ou de iogurtes.

Paulo Azevedo, presidente executivo da Sonae, afirmou recentemente ao Diário Económico que se sente uma retracção do consumo, “em particular na área não-alimentar, uma retracção maior do que a do ano passado”.

Pedro Soares dos Santos, administrador-delegado da JM, disse que, apesar de “as vendas terem crescido em Janeiro”, sente-se uma “contracção. As pessoas estão a comprar um bocadinho menos”, confirma.

MRA Alliance 

Governo admite que recessão veio para ficar pelo menos até 2014

terça-feira, março 22nd, 2011

O Governo assumiu hoje que a economia vai contrair este ano, ao contrário do que tinha defendido na apresentação do Orçamento. A economia portuguesa deverá recuar 0,9%, em vez de crescer 0,2% como tinha sido inscrito no cenário macroeconómico que serviu de base ao OE/2011. A estimativa do Executivo continua, ainda assim, a ser mais optimista do que a esperada pelo Banco de Portugal, que no último boletim de inverno previu uma recessão de 1,4%.

As novas previsões foram inscritas na actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que foi hoje entregue na Assembleia da República. Para os próximos anos, a equipa de José Sócrates prevê já o regresso ao crescimento. No próximo ano o primeiro-ministro espera um crescimento de 0,3%, para 2013 de 0,7% e para 2014 de 1,3%.

No tocante ao desemprego, o Executivo espera um agravamento da taxa para 11,2% este ano. Só em 2014 o desemprego voltará a ser inferior a 10%. Por outro lado, o PEC IV também avança com uma estimativa de 6,5% para a taxa de juro das Obrigações do Tesouro a 10 anos nos próximos quatro anos. Para este ano, o Executivo de José Sócrates espera um juro médio de 6,8%.

De acordo com a nova versão do Programa de Estabilidade e Cerscimento (PEC) , o juro das Obrigações do Tesouro a 10 anos deve fixar-se nos 6,9% em 2012. Para o ano seguinte (2013), o Governo avança com uma estimativa de 6,8%, estimando que o juro das OT a 10 anos portuguesas se fixe, em média, nos 6,5% em 2014. Na sessão de ontem, a ‘yield’ genérica das OT a 10 portuguesas fixou-se nos 7,367%.

O PEC IV volta a anunciar nova revisão e limitação dos benefícios e deduções fiscais em sede de IRC e IRS, garantindo mais 865 milhões de euros de receita fiscal nos próximos dois anos. O ganho de receitas estimado corresponde a 0,4% PIB [692 milhões] em 2012 e a 0,1% PIB [173 milhões] em 2013″, lê-se no documento.

No próximo ano, metade da receita estimada (0,2%) representará um acréscimo de carga fiscal sobre as empresas: 346 milhões de euros. Há muito desperdício, é preciso mais equilíbrio. Esta parece ser a palavra de ordem do Ministério das Finanças que à semelhança do mote que já tinha dado no Orçamento de Estado deste ano continua a insistir que “há uma parcela excessiva de receita desperdiçada em benefícios” concedidos às empresas.

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (SEAF) tinha já avançado que “é bom ter presente que no final deste ano caducam automaticamente muitos dos benefícios previstos no Estatuto dos Benefícios Fiscais”. Sérgio Vasques alertou mesmo: “temos, por isso, a obrigação de ponderar o que deve ou não sobreviver em que termos”. Uma revisão de deduções e benefícios fiscais que, diz, abrangerá, essencialmente, as grandes empresas”.

“Em sede de IRC, no tocante a benefícios aplicáveis a pessoas colectivas, propõe-se uma racionalização dos benefícios fiscais e dos regimes especiais em vigor, tendo em especial atenção a regra de caducidade prevista no Estatuto dos Benefícios Fiscais. O ganho de receitas estimado corresponde a 0,4% PIB [692 milhões] em 2012 e a 0,1% PIB [173 milhões] em 2013”, segundo o PEC IV entregue hoje no Parlamento.

Ainda que não tenha sido dada indicação do possa vir a ser feito no que concerne aos benefícios fiscais às empresas, as medidas de austeridade vão garantir uma receita adicional nos próximos dois anos, que representará 39% do aumento de receita fiscal previsto entre 2012 e 2013, num total de 2,2 mil milhões de euros.

Os novos contratos de crédito para a compra de casa também vão perder benefícios fiscais a partir de 2012, pois o Governo quer desincentivar o endividamento excessivo das famílias. Assim, prepara-se para acabar com a dedução dos encargos com juros e amortização das dívidas contraídas com a compra de casa. A medida apenas deverá vigorar para as novas aquisições de casa, mantendo-se em vigor a dedução para os contribuintes que já têm créditos à habitação.

Investidores ignoram ameaça de chumbo do PEC, crise japonesa e guerras no Médio Oriente

segunda-feira, março 21st, 2011

Depois de uma semana marcada pelo agravar do conflito nos países árabes, que culminou com o ataque ocidental à Líbia, e pelas consequências do sismo nipónico, acontecimentos que monopolizaram a atenção dos investidores mundiais, o PSI 20 fechou o dia em alta, a aumentar 1,48 por cento, em linha com as restantes grandes praças mundiais.

Em termos gerais, e apesar de o agravar da crise política, com a oposição a contestar as novas medidas de austeridade e a pedir a queda do governo, o PSI20 não vacilou. No dia em que o Governo entrega o PEC no Parlamento, com todos os partidos a manifestarem intenção de o chumbar, o mercado lisboeta voltou a fechar em alta e a indiciar que os investidores interiorizaram que “a austeridade já cá está”.

Na Europa, e num dia que os ministros das Finanças da zona Euro realizam uma reunião extraordinária em Bruxelas para ultimar a reforma do fundo de resgate, o alemão DAX fechou a subir 2,28 por cento, o francês CAC 2,47 por cento e o espanhol Iberx 2,38 por cento. Já o inglês Fotsie valorizou 1,19 por cento. Nos EUA o índice industrial Dow Jones abriu a ganhar 0,53 por cento, o S&P 500 avança 0,71 por cento e o Nasdaq valoriza 1,23 por cento.

À medida que foram interiorizando que a situação no Japão estava controlada, acompanhando os esforços das autoridades para arrefecer os reactores nucleares danificados no complexo nuclear de Fukuchima, os investidores ganharam fôlego.

Mas apesar da intervenção articulada no final da semana passada das sete maiores economias do mundo, o G7, para combater as especulações à volta do iene, e a decisão o governo nipónico de injectar fundos (que podem ascender a 130 mil milhões de euros) para reanimar a economia (que sofreu danos estimados até 166 mil milhões de euros), estarem também a dar ânimo aos investidores, a entrada do Japão em recessão é dada como inevitável.

Mas a sua dimensão depende da celeridade com que se contiverem os problemas nucleares nipónicos. A disseminação da radiação implicará atrasos na retoma da produção que ficou parcialmente paralisada (estima-se que 10 por cento da capacidade industrial esteja inoperacional).

Os mercados internacionais estão também a reagir positivamente ao facto de a situação no Médio Oriente parecer, do ponto de vista dos investidores, controlada com a intervenção da coligação dos países ocidentais. O recrudescimento dos conflitos na Líbia, e noutros países árabes (Iémen), parece estar a ter sobretudo influência no preço dos combustíveis, com o petróleo negociar-se acima des 119 dólares.

Os investidores aproveitaram ainda as notícias que surgiram nos EUA, com aquisição por parte da maior empresa de telecomunicações dos EUA, a AT&T de 49 por cento da rede móvel da T-Mobile, pertencente à alemã Deutsche Telekom (que disparou em bolsa, levando as restantes operadores mundiais pelo mesmo caminho. A PT subiu mais de cinco por cento). Os investidores dão assim sinais de acreditar que a politica monetária expansionista dos EUA pode criar oportunidades para novas grandes aquisições e fusões.

MRA Alliance/Público

“Portugal precisa de um aumento radical de impostos”, diz presidente do IFO

segunda-feira, março 21st, 2011

O presidente do IFO – instituto alemão de investigação económica – diz esperar que Portugal consiga resolver o problema sozinho. Se Portugal não conseguir refinanciar a sua dívida vai precisar de ajuda externa e de um aumento radical de impostos, sustenta Hans-Werner Sinn, em entrevista ao Diário Económico.

Olhando para a experiência do resgate na Grécia e Irlanda, diria que uma ajuda externa semelhante é o que Portugal precisa?
Se Portugal não for capaz de refinanciar a sua dívida, e tiver um problema urgente, então precisará de ajuda externa, mas espero que Portugal consiga resolver o problema sozinho. O país precisa definitivamente de um aumento radical de impostos para reduzir o défice público e chegar a um excedente.

Também se fala em perspectivas de crescimento. É com as contas públicas que se retoma a confiança?
Sim, em Portugal e Grécia essa é a origem do problema. Em Espanha e Irlanda o problema era o excesso de crédito privado mas agora a dívida pública também cresceu rapidamente. Isto tem de parar.

Se Portugal tiver de pedir ajuda externa, estamos a falar de uma década de ajustamento?
Estamos a falar de, pelo menos, uma década de ajustamento, qualquer que seja a solução [ajuda externa ou não]. Sem programas de austeridade será um desastre para Portugal, não apenas uma década difícil de ajustamento. Olhe para a Alemanha, registou um aumento enorme de exportação de capitais no quadro da moeda única, tendo em conta a convergência de taxas de juros depois do anúncio do euro e a fixação irrevogável das taxas de câmbio, de 1995 a 1997. Depois disso, a Alemanha registou a menor parcela de investimento líquido de todos os países da OCDE e o segundo menor crescimento da Europa. Sofreu desemprego em massa, mas adoptou reformas dolorosas que implicaram contenção salarial, cortes de benefícios sociais e austeridade para a população. Depois de muitos anos a sofrer desta exportação de capitais, o país acabou por melhorar a situação, revitalizando a sua indústria exportadora. O período de ajustamento durou mais de uma década. A década dourada de Portugal e Espanha foi uma década de crise na Alemanha. Receio que alguns países europeus, incluindo Portugal, terão de enfrentar um ajustamento semelhante.

Portanto reconhece a simetria do problema. Também há uma responsabilidade da Alemanha, que tirou proveito de mercados novos no sul, conduzidos pela baixa das taxas de juro, mas agora terá de reequilibrar o seu modelo de crescimento?
Claro. O problema está nos dois lados. O fluxo de capital ia da Alemanha para a periferia. Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia faziam parte dos países que investiam e consumiam o crédito que vinha da Alemanha. Este fluxo de crédito criou um ‘boom’ e um défice externo nesses países. A Alemanha ficou para trás. As importações foram esmagadas, os preços e os salários cresceram pouco e isso trouxe um excedente nas contas externas. Este processo está a chegar ao fim.

MRA Alliance

“Não vejo razão para mudar PEC” português, diz presidente do Eurogrupo

segunda-feira, março 21st, 2011

Jean-Claude JunckerO presidente do Eurogrupo disse hoje em Bruxelas que não vê motivos para mexer no programa já aprovado pelas instituições europeias. Jean-Claude Juncker falava no final da reunião dos ministros das Finanças da zona euro, em Bruxelas, a dois dias do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) ser debatido no Parlamento.

“Não vejo razão para mudar o PEC” português, disse o responsável europeu, sinalizando que o documento já foi aprovado pela Comissão Europeia e pelo BCE.

Pedro Passos Coelho já fez saber que o Governo não conta com o PSD para debater nem aprovar o PEC IV. A concretizar-se, o Governo demite-se.

MRA Alliance/DE

Japão/sismo: Mortos e desaparecidos ultrapassam 20 mil; Radiações nucleares contaminam comida e água

domingo, março 20th, 2011

O sismo e tsunami que atingiram o nordeste do Japão a 11 de março fizeram 8.133 mortos e 12.272 desaparecidos, segundo um novo balanço provisório da polícia nacional japonesa revelado hoje. “Vamos precisar de sítios onde guardar mais de 15 mil corpos”, disse o chefe da polícia da prefeitura de Miyagi, uma das mais afetadas pela catástrofe, citado pela agência Jiji.

O sismo de magnitude 9,0 na escala de Richter, é o mais potente registado no Japão, dando origem a um tsunami que devastou toda a região de Miyagi. As catástrofes naturais de dia 11 são as mais mortíferas registadas no Japão desde 1923, quando um sismo abalou a região de Kanto, que engloba Tóquio, e que fez 142.000 mortos.

Entretanto, as autoridades japonesas registaram níveis de radiação superiores ao normal em espinafres e leite de quintas próximas da central nuclear de Fukushima. Os investigadores avançam que apesar de os níveis registados serem baixos já estão acima dos limites de segurança governamentais. Também a água canalizada de Tóquio e regiões próximas da província de Fukushima registaram níveis de iodo radioactivo. Por essa razão, o Governo japonês desaconselhou a população que reside nessas zonas a beber água da torneira.

Apesar das más notícias, este domingo a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) afirmou que houve uma evolução positiva na Fukushima central, embora a situação seja considerada grave.

MRA Alliance/Agências

Iémen dissolve governo após massacre de manifestantes

domingo, março 20th, 2011

Ali Abdallah Saleh - Presidente do IémenO presidente do Iémen, Ali Abdallah Saleh, alvo há dois meses de protestos populares, destituiu neste domingo o governo, dois dias após o massacre de 52 manifestantes, informou a agência de notícias estatal Saba. “O presidente da República dissolveu o governo e ficará encarregado dos assuntos internos até a formação de um novo executivo”.A decisão foi tomada no momento em que manifestantes exigiam a saída de Saleh, após a morte de 52 pessoas num ataque realizado por homens armados na sexta-feira passada, em Sanaa, atribuído a partidários do regime, que causou 126 feridos.

Milhares de pessoas ocuparam a praça em frente à Universidade de Sanaa e as avenidas adjacentes, na maior manifestação desde o início dos protestos, em janeiro passado, para exigir a saída de Ali Abdullah Saleh.

A praça da Universidade é o epicentro dos protestos e na sexta-feira foi cenário da sangrenta repressão quando homens armados, partidários do regime, dispararam contra a multidão depois da oração semanal.

MRA Alliance/AFP

Lula recusou convite para almoçar com Obama

domingo, março 20th, 2011

Lula da SilvaDepois de se ter aliado a Hugo Chávez, da Venezuela, e a Mahmoud Ahmadinejad, do Irão, nas críticas aos EUA, o ex-presidente Lula da Silva deu ontem nova demonstração de rejeição das políticas de Washington.

Sem cerimónias, recusou o convite para o almoço em homenagem ao presidente norte–americano, Barack Obama, que chegou ontem a Brasília em visita oficial e que passa o dia de hoje no Rio de Janeiro.

Sem se preocupar com o constrangimento da presidente Dilma Rousseff, Lula disse que ia passar o dia em casa com a família. Elogiado várias vezes por Obama em discursos pelo mundo, Lula, quando ainda era presidente, respondeu com críticas ao homólogo dos EUA e chegou a afirmar que Obama era uma decepção.

Mostrando que, apesar de ser a herdeira política de Lula, não pensa como ele, Dilma acolheu Obama de forma cordial. “A sua visita enche-me de alegria e desperta os melhores sentimentos do nosso povo”, afirmou Dilma após reunião com Obama, acrescentando: “Vejo com optimismo o futuro comum. No passado, esse relacionamento foi encoberto por uma retórica vazia, que escondia o que estava realmente em jogo.”

Em resposta, Obama realçou a importância das parcerias EUA-Brasil, que reconheceu como o grande líder da América do Sul, e acompanhou Dilma Rousseff no optimismo quanto ao futuro das relações bilaterais.

MRA Alliance/CM

Primeiro ataque à Líbia foi «um êxito», dizem EUA; China e Rússia demarcam-se

domingo, março 20th, 2011

Míssil Tomahawk lançado sobre a LíbiaO principal responsável militar dos Estados Unidos, o almirante Michael Mullen, afirmou que a primeira fase de ataques aéreos a Líbia foi «um êxito» e que garantiu uma zona de exclusão área, citado pela BBC.

Segundo o mesmo responsável, as forças militares fieis a Muammar Kadhafi «suspenderam o avanço» para Benghazi, cidade “base” dos rebeldes a quase mil quilómetros para leste da capital, Tripoli.

Kadhafi promete responder e afirma que não desistirá e que quem o atacar sofrerá as consequências.

Hoje de madrugada, segundo um porta-voz do comando militar africano dos EUA em Estugarda, na Alemanha, Kenneth Fidler, 19 aviões norte-americanos, entre os quais três bombardeiros furtivos B2 e caças F-15 e F-16, voltaram a carga com outros alvos estratégicos de forma a garantir a segurança dos locais.

No segundo dia da operação militar da França, dos EUA e do Reino na Líbia, baptizada de ‘Odisseia ao Amanhecer’, o ministro dos Negócios Estrangeiros da China lamentou esta intervenção e apelou à estabilidade na região.

As declarações de Pequim surgem um dia depois de a Rússia ter manifestado incomodo com o ataque da coligação ocidental contra as forças de Kadhafi.

Recorde-se que a China e a Rússia, que têm poder de veto, abstiveram-se na votação da passada quinta-feira da resolução das Nações Unidas que permite “todas as medidas necessárias” – incluindo ataques aéreos – “para proteger os civis e as áreas povoadas por estes sob ataque na Líbia, incluindo Benghazi”.

MRA Alliance/IPJornal

Japão: Central nuclear de Fukushima não voltará a ser utilizada após desastre natural

domingo, março 20th, 2011

Operações de salvamento em FukushimaA central nuclear japonesa de Fukushima não deverá voltar a ser utilizada, na sequência dos incidentes provocados pelo sismo e tsunami de 11 de Março, afirmou hoje o porta-voz do Governo. “Considerando com objectividade a situação da central, penso que é evidente que a central de Fukushima Daiichi (número 1) não está em condições de voltar a funcionar”, disse Yukio Edano em conferência de imprensa.

O responsável salientou que esta decisão não depende apenas do Estado, uma vez que a central é gerida pela Tokyo Electric Power (Tepco), uma das principais empresas de electricidade privadas do Japão.

Situada na costa, a cerca de 250 quilómetros a nordeste de Tóquio, Fukushima 1 é uma central nuclear antiga, construída nos anos de 1970. A central está equipada com seis reactores, que foram muito danificados pela catástrofe de 11 de Março, que provocou 8.133 mortos e 12.272 desaparecidos, segundo um novo balanço da polícia.

O sismo e tsunami provocaram também um grave acidente na central nuclear de Fukushima, que faz pairar a ameaça de uma contaminação radioactiva em grande escala sobre o arquipélago. O operador da central nuclear acidentada de Fukushima considerou hoje ser “difícil” restabelecer a alimentação eléctrica do reactor 2, uma operação também adiada no sábado, indicou a Tokyo Electric Power (Tepco).

MRA Alliance/DN

«Não estou disponível para governar com o FMI», diz Sócrates

domingo, março 20th, 2011

José SócratesO secretário-geral do PS deixou fortes críticas ao presidente social-democrata, Pedro Passos Coelho, acusando-o de querer ajuda externa para resolver a situação de crise que o País atravessa, e referiu não ser essa a sua intenção.

«Não estou disponível para governar com o FMI», disse este sábado José Sócrates, durante a apresentação da moção à liderança do PS, no Porto. «Hoje, mais uma vez, o líder do PSD mostrou-se disponível para Governar com o FMI», afirmou o socialista, dizendo que isso revela que Portugal quer ajuda externa e pede ajuda para o seu financiamento.

O líder socialista lembrou os casos críticos da Grécia e Irlanda, que tiveram que recorrer a ajuda financeira internacional para enfrentar a crise, mas sublinhou que «Portugal não tem necessidade disso». O primeiro-ministro disse ainda ser o único político que se mostra disponível para negociar, tendo em conta o actual cenário, de modo a evitar uma crise política.

MRA Alliance/Agências

Líbia: EUA e França iniciam bombardeamentos

domingo, março 20th, 2011

Míssil TomahawkOs EUA e a França iniciaram no sábado ataques contra a Líbia, atingindo sobretudo as instalações anti-aéreas do regime de Muammar Kadhafi. Cerca de 100 mísseis de cruzeiro foram lançados de navios norte-americanos estacionados no Mediterrâneo e bombardeiros franceses atacaram alvos militares para prevenir ataques às zonas que estão nas mãos dos rebeldes.

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que os ataques não foram tomados de ânimo leve. “Não podemos ficar parados enquanto um tirano diz à população do seu país que não terá misericórdia”, afirmou no Brasil, onde se encontra numa visita oficial.

Nos ataques lançados pela aviação francesa foram destruídos pelo menos quatro tanques das forças fiéis a Kadhafi. O primeiro disparo da operação ‘Odisseia ao Amanhecer’ teve lugar à tarde, horas depois de os aliados, reunidos em Paris, aprovarem a intervenção. Ainda as notícias do ataque não tinham surgido nas agências e já o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmava: “Os nossos aviões já estão a travar a loucura assassina de Kadhafi.”

A operação está a ser realizada por uma coligação que inclui EUA, França, Reino Unido, Canadá e Itália, apoiados por aliados como a Espanha, que disponibilizou navios e aviões. Os 22 membros da Liga Árabe, também presentes em Paris, manifestaram menor entusiasmo que Sarkozy. Amr Moussa, secretário-geral da organização, frisou: “O objectivo da intervenção é proteger civis e não invadir o país. Não deve haver execessos”. Neste aspecto, a posição da Liga Árabe é partilhada pelos rebeldes anti-Kadhafi, que frisaram: nenhum soldado ocidental deve pisar solo líbio.

O regime líbio classificou a intervenção como “uma barbaridade injustificável”, alegando que os bombardeamentos causaram vítimas entre a população civil. O líder líbio, Muammar Kadhafi, ameaçou hoje as forças aliadas com uma resposta militar e assegurou que o Mediterrâneo e o Norte de África converteram-se numa “zona de guerra”, numa mensagem áudio difundida na televisão estatal do país.

Kadhafi descreveu a operação lançada hoje, no âmbito de uma resolução das Nações Unidas, como uma”agressão injustificada”. “Os arsenais estão abertos para defender a Líbia”, acrescentou o líder.

MRA Alliance/CM 

Portugal gastará 16 milhões de euros/dia em juros da dívida em 2011

sábado, março 19th, 2011

Portugal vai gastar 16 milhões de euros por dia em juros da dívida pública em 2011, calcula o BPI. Segundo o banco a verba inscrita no OE pode ser insuficiente para responder aos juros da dívida pública portuguesa. Junho e Outubro são os meses mais críticos.

“Existe alguma probabilidade de que o valor inscrito no Orçamento de Estado não seja suficiente para acomodar os encargos com os juros previstos este ano”, escreve a economista Paula Carvalho, do BPI, num relatório a que o Diário Económico teve acesso.

Nesse documento o BPI calcula que os encargos com os juros da dívida pública vão ascender a seis mil milhões de euros em 2011, o equivalente a cerca de 16,4 milhões de euros por dia. O valor representa 3,5% do PIB português, um agravamento de 0,6 pontos percentuais face aos encargos de 2010.

O Orçamento de Estado de 2011 tem 6,54 mil milhões de euros destinados ao pagamento de juros e outros encargos relacionados com o financiamento do Estado. E nos “outros encargos” é que pode surgir o problema. “Caso os outros encargos tenham um comportamento idêntico a 2010 (250 e 500 milhões de euros em 2009 e 2010, respectivamente), o valor limite para pagamento de juros seria cerca de 6.032 milhões de euros, pelo que a margem face ao OE é praticamente nula”, explica o BPI.

MRA Alliance/DE

Fukushima: Crise nuclear parece estar a melhorar

sábado, março 19th, 2011

Emergência nuclear na central japonesa de Fukushima- DaiichiO porta-voz do governo japonês Yukio Edano disse hoje que a situação na central nuclear de Fukushima “está a melhorar”, ainda que, em alguns sectores, as coisas se mantenham imprevisíveis.

Edano disse igualmente, numa conferência de imprensa durante a tarde de hoje, em Tóquio, que a descarga contínua de água, com o auxílio de um canhão de bombeiros, sobre o reactor 3 foi bem-sucedida. O responsável disse que a situação está mais estável que anteriormente.

Paralelamente, as autoridades japonesas tinham igualmente confirmado, ao início da manhã (hora portuguesa) que os sistemas de refrigeração de dois reactores da central nuclear de Fukushima 1 já estavam operacionais.

O sismo do passado dia 11, e o consequente tsunami, destruiram os sistemas de arrefecimento dos reactores. A catástrofe nuclear esteve então iminente mas ainda não está ultrapassada.

MRA Alliance/Agências

Portugal: Economia e consumo estagnaram em Fevereiro

sexta-feira, março 18th, 2011

O indicador coincidente da actividade económica e o indicador relativo ao consumo privado estabilizaram em Fevereiro, em relação ao mês de Janeiro. Os dados estatísticos divulgados pelo Banco de Portugal revelaram que o sentimento económico e o indicador de confiança na Indústria, nos Serviços e nos Consumidores registaram uma melhoria ligeira.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, anunciados esta sexta-feira, o indicador de clima económico continuou a cair (passou de -1,2 pontos em Janeiro para -1,3 em Fevereiro) e o indicador de actividade económica sofreu um agravamento em Janeiro (passou de 2,3 pontos em Dezembro para 2,0).

MRA Alliance/Agências

Japão: Mais de 16.600 mortos e desaparecidos

sexta-feira, março 18th, 2011

O último balanço do sismo e tsunami que atingiram o nordeste do Japão a 11 de Março fixou-se hoje em mais de 16.600 mortos e desaparecidos, anunciou a polícia. De acordo com a polícia nacional, 6.405 mortos foram confirmados enquanto o número de desaparecidos se situa atualmente em 10.259. Segundo a mesma fonte, 2.409 pessoas ficaram feridas.

O número de mortos aumentou fortemente nos últimos dias e deverá continuar a subir nos próximos já que os socorristas não têm praticamente qualquer esperança na hipótese de encontrar sobreviventes sob os escombros. Após o caos dos primeiros dias, o processo de identificação dos corpos começou a decorrer com mais rapidez. Certos responsáveis locais manifestaram receio num balanço bastante pesado.

MRA Alliance/Agências

Japão: Autoridades elevam nível de alerta nuclear para cinco

sexta-feira, março 18th, 2011

Central nuclear de Fukushima-DaiichiO Japão aumentou de quatro para cinco o nível de alerta nuclear, numa escala internacional de sete níveis para acidentes atómicos, na central de Fukushima. A crise foi causada por um sismo e tsunami que já fizeram 6911 mortos.

A informação, que está a ser divulgada pela Agência Japonesa de Segurança Nuclear, coloca a crise nuclear em Fukushima a dois níveis de distância da catástrofe de Tchernobil, em 1986, e ao mesmo nível do acidente de Three Mile Island, nos Estados Unidos, em 1979.

O nível cinco significa que a situação em Fukushima é um “acidente com amplas consequências”, segundo a Escala Internacional de Eventos Nucleares e Radiológicos (INES, International Nuclear and Radiological Event Scale). Segundo esta escala, os eventos classificados de 1 a 3 são chamados “incidentes”; de 4 a 7 são chamados “acidentes”. A classificação foi concebida para que a “gravidade de um evento seja cerca de dez vezes maior de nível para nível”, explica a Agência Internacional de Energia Atómica. Segundo a escala, o nível 5 significa, para as pessoas e o Ambiente, “uma fuga limitada de material radioactivo que poderá exigir a implementação de medidas” e ainda “várias mortes por radiação”. A nível de infra-estruturas, significa “danos graves do núcleo dos reactores”, “libertação de grandes quantidades de material radioactivo numa instalação” que poderá ter sido causada por um acidente ou incêndio.

Hoje, o director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, Yukiya Amano, confirmou que em Fukushima se vive uma corrida contra o tempo para tentar arrefecer os reactores da central, danificada pelo sismo e tsunami. “O arrefecimento é extremamente importante. Também eu acredito que esta é uma corrida contra o tempo”, declarou em Tóquio, depois de um encontro com o primeiro-ministro nipónico, Naoto Kan, segundo a AFP.

MRA Alliance

Líbia anuncia fim de todas as operações militares

sexta-feira, março 18th, 2011

MNE da Líbia - Musa KusaA Líbia decidiu nesta sexta-feira encerrar todas as operações militares após a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, que autorizando ataques aéreos contra o regime do coronel Muamar Kadhafi, anunciou o ministro líbio das Relações Exteriores, Musa Kusa.

“A Líbia decidiu aplicar de imediato um cessar-fogo e dar por encerrada todas as operações militares”, declarou Kusa em uma entrevista coletiva. Ele afirmou que o país, por ser membro das Nações Unidas, está “obrigado a aceitar a resolução do Conselho de Segurança da ONU”.

Na quinta-feira, o Conselho de Segurança votou a favor do uso da força contra as tropas pró-Kadhafi, abrindo assim o caminho para bombardeios aéreos depois de quase um mês de insurreição reprimida de forma violenta pelo regime. A resolução exigia um cessar-fogo imediato e o fim dos combates.

Mais cedo, o ditador líbio Muamar Kadhafi havia adotado um tom ameaçador afirmando que transformaria num inferno a vida de qualquer um que atacar o país, depois que a ONU autorizou ataques aéreos contra as forças do governo.

MRA Alliance/AFP

Khadafi ainda vê Portugal como um país amigo

sexta-feira, março 18th, 2011

Muammar KahdafiO líder líbio, Muammar Khadafi, ainda vê Portugual “como um país amigo”, mas que se deixou influenciar por “uma propaganda muito forte” e que foi essa propaganda que levou a que manifestasse fortes críticas ao seu regime.

Numa entrevista à RTP na quinta-feira, Khadafi acentuou que Portugal “foi vítima da propaganda” internacional “muito forte” e revelou que se houver um ataque à Líbia o mundo “nunca mais terá paz”. Um ataque “será uma flagrante colonização” que “terá repercussões muito fortes”. “Se pensarem em colonizar-nos, se o mundo agir como louco, faremos o mesmo. Vamos responder, vamos ripostar”, disse Khadafi ao enviado da RTP à Líbia, Paulo Dentinho.

O líder afirmou ainda que a União Europeia o traiu e que a Liga Árabe “quase não existe”. Acrescentou ainda que não reconhecerá qualquer resolução da Nações Unidas para a Líbia.

MRA Alliance/Público